terça-feira, 22 de novembro de 2011

SER GAY É PECADO?

Direitos Humanos
Ser gay é pecado? A evangélica opinião de lideranças cristãs


Transcrevemos a matéria publicada na Revista Carta Capital, publicada em 11 de novembro de 2011. A reprodução foi autorizada pela Redação da Revista.

Sugerimos ainda os seguintes livros:

- Um brecha no armário: proposta para uma teologia gay, de André Musskopf;

- Repensando Masculinidades, de José Josélio da Silva (org).







Ser gay é pecado?

(Cynara Menezes)


A representação de São Sérgio e São Baco, símbolos da causa LGBTEm seu programa de tevê e nos cultos, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, um dos maiores porta-vozes do conservadorismo religioso no País, costuma repetir a ladainha: "Homossexualidade na Bíblia é pecado. Pode tentar, forçar, mas é pecado". Mas será mesmo pecado ser gay? Não, contestam, baseados na interpretação da mesma Bíblia, sacerdotes cristãos, tanto católicos quanto evangélicos. Para eles, a mensagem de Jesus era de inclusão: se fosse hoje que viesse à Terra, o filho de Deus teria recebido os homossexuais de braços abertos.


"A orientação sexual não é o que vai definir a nossa salvação"Orientação sexual não é o que vai definir a nossa salvação", afirma o bispo primaz da Igreja Anglicana no Brasil, dom Maurício Andrade. "É muito provável que as pessoas homoafetivas fossem acolhidas por Jesus. O Evangelho que ele pregou foi de contracultura e inclusão dos marginalizados", opina. Segundo o bispo, ao mesmo tempo que não há nenhuma menção à homossexualidade no Novo Testamento, há várias passagens que demonstram a pregação de Jesus pela inclusão. Não só o conhecido "quem nunca pecou que atire a primeira pedra" à adúltera Maria Madalena.

No Evangelho de João, capítulo 4, Jesus está a caminho da Galileia, partindo de Jerusalém. Cansado, decide descansar ao lado de um velho poço, em plena região da Samaria, cujos habitantes eram desprezados pelos judeus. E inicia conversação com uma mulher samaritana que vinha buscar água, e lhe oferece a salvação da alma, para espanto de seus próprios apóstolos, que a consideravam ímpia. Também quando Jesus vai à casa de Zaqueu, o coletor de impostos decidido a passar a noite lá, os discípulos murmuram entre si que se hospedaria "com homem pecador". Mas Jesus não só o faz como também oferece a Zaqueu, homem rico tido como ladrão, a salvação. "Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão."

"Jesus inaugura o momento da Graça, os Evangelhos atualizam vários trechos do Velho Testamento. Ou alguém pode imaginar apedrejar pessoas hoje em dia?", questiona dom Maurício, para quem a interpretação da Bíblia deve se basear no tripé tradição, razão e experiência cotidiana. "Quem interpreta que a Bíblia condena a homoafetividade está sendo literalista. Cada texto bíblico está inserido num contexto político, histórico e cultural, não pode ser transportado automaticamente para os dias de hoje. Além disso, a Igreja tem de dar resposta aos anseios da sociedade, senão estaremos falando com nós mesmos."

Também anglicano, o arcebispo Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz em 1984, lançou em março deste ano o livro Deus Não É Cristão e Outras Provocações, que traz um texto sobre a inclusão dos cidadãos LGBT à Igreja e à sociedade. Para Tutu, a perseguição contra os homossexuais é uma das maiores injustiças do mundo atual, comparável ao apartheid contra o qual lutou na África do Sul. "O Jesus que adoro provavelmente não colabora com os que vilipendiam e perseguem uma minoria já oprimida", escreveu. "Todo ser humano é precioso. Somos todos parte da família de Deus. Mas no mundo inteiro, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros são perseguidos. Nós os tratamos como párias e os fazemos duvidar que também sejam filhos de Deus. Uma blasfêmia: nós os culpamos pelo que são."

Nos Estados Unidos, a Igreja Anglicana foi a primeira a ordenar um bispo homossexual, em 2004. "Não por ser gay, mas porque a Igreja reconheceu o serviço e o ministério dele", alerta dom Maurício. Foi com base na demanda crescente de respostas por parte dos fiéis homossexuais ou com -parentes e amigos gays que os anglicanos começaram a rever suas posturas, a partir de 1997. No ano seguinte, foi feita uma recomendação para que os homoafetivos fossem escutados, embora a união de pessoas do mesmo sexo ainda fosse condenada e que se rejeitasse a prática homossexual como "incompatível" com as Escrituras.

No Brasil, onde possui mais de 60 mil seguidores, a Igreja Episcopal Anglicana realizou em 2001 a primeira consulta nacional sobre sexualidade, quando seus fiéis decidiram rejeitar "o princípio da exclusão, implícito na ética do pecado e da impureza", e fazer uma declaração pública em favor da inclusividade como "essência do ministério encarnado de Jesus". Em maio deste ano, os anglicanos divulgaram uma carta de apoio à decisão do Supremo Tribunal Federal de permitir a união civil entre pessoas do mesmo sexo, baseados não só na defesa da separação entre Estado e Igreja como no reconhecimento de que as relações homoafetivas "são parte do jeito de ser da sociedade e do ser humano".

Com o reconhecimento pelo Superior Tribunal de Justiça, em 25 de outubro, da união civil de duas lésbicas, é possível que a intolerância religiosa contra os homossexuais volte a se acirrar. No Twitter, Malafaia atiçava os seguidores a enviar e-mails aos juízes do Tribunal pedindo a rejeição do recurso. Em vão: a união entre as duas mulheres gaúchas, juntas há cinco anos, ganhou por 4 votos a 1.


Homossexual, o padre Alison não tem função como pároco. Foto: Olga VlahouA partir da primeira decisão do STF, foi criada, informalmente até agora, uma frente religiosa pela diversidade sexual, que reúne integrantes de diversas igrejas: batistas, metodistas, anglicanos, luteranos, presbiterianos, católicos e pentecostais. Coordenador do grupo, o metodista Anivaldo Padilha (pai do ministro da Saúde, Alexandre Padilha) diz que a homossexualidade é hoje um dos temas que mais dividem as igrejas, tanto evangélicas quanto católicas. "Quem alimenta o preconceito são as lideranças. Os fiéis manifestam dificuldade em obter respostas, porque no convívio com amigos, colegas ou mesmo parentes que sejam homossexuais não veem diferença."

Mais: segundo Padilha, a proporção de homossexuais entre os evangélicos é bastante similar à da sociedade brasileira como um todo. Sua convicção vem da pesquisa O Crente e o Sexo, do Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã, entidade que possui o maior banco de dados com e-mails de evangélicos brasileiros - mais de 1,6 milhão. Na pesquisa, foram ouvidos pela internet 6.721 solteiros evangélicos de todo o País, entre 16 e 60 anos. Os resultados, divulgados em junho deste ano: 5,02% dos evangélicos tiveram uma experiência homossexual e 10,69% disseram desejar experimentar ter relações com pessoas do mesmo sexo.

Uma pesquisa feita em 2009 pelo Ministério da Saúde com os brasileiros em geral apontou que 7,6% das pessoas- entre 15 e 64 anos haviam tido relações com o mesmo sexo na vida. Quer dizer, a diferença entre os hábitos sexuais dos crentes e do resto da população é quase nula. "A questão não é teológica", argumenta Padilha. "O que existe é que esse tema tem sido utilizado politicamente pela direita brasileira. Como não existe mais o comunismo, conseguem manipular a opinião pública assim. Eles têm o direito de expressar opiniões, mas não se pode impor ao Estado conceitos de pecado que não dizem respeito aos que professam outras religiões, ou nenhuma."

De acordo com historiadores, a posição religiosa em relação à homossexualidade mudou ao longo dos séculos: de mais tolerante para menos. O americano John Boswell, pesquisador da Universidade Yale que morreu de Aids- aos 47 anos em 1994 e que dedicou a vida acadêmica a investigar a homossexualidade relacionada ao cristianismo, afirmava que a Igreja Católica não condenou as relações entre o mesmo sexo até o século XII. Ao contrário: o historiador, contestado por alguns e aclamado por outros, revelou no livro O Casamento entre Semelhantes - Uniões entre pessoas do mesmo sexo na Europa pré-moderna (1994) a existência de manuscritos que comprovam a celebração de rituais matrimoniais religiosos durante toda a Idade Média por sacerdotes católicos e ortodoxos para consagrar uniões homossexuais.

Nos 80 manuscritos descobertos por Boswell sobre as bodas gays entre os primeiros cristãos, invocava-se como protetores os santos católicos Sérgio e Baco, tidos como homossexuais. Celebrados no dia 7 de outubro, São Sérgio e São Baco aparecem juntos em toda a iconografia religiosa a partir do século IV depois de Cristo e atualmente são objeto de homenagem de vários artistas plásticos ligados ao movimento LGBT. Soldados do imperador romano Maximiano, foram ambos martirizados por se recusar a entrar em um templo e adorar Júpiter. Baco, flagelado com chicotadas, morreu primeiro. Uma crônica, provavelmente do século- X, conta que Sérgio "com o coração enfermo pela perda de Baco, chorava e gritava: ‘te separaram de mim, foste ao Céu e me deixaste só na Terra, sem companhia nem consolo'".

Em fevereiro deste ano, o pesquisador e professor de Literatura Carlos Callón, da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, foi premiado pelo ensaio Amigos e Sodomitas: A configuração da homossexualidade na Idade Média, onde conta a história de Pedro Díaz e Muño Vandilaz, protagonistas do primeiro matrimônio homossexual da Galícia, em 16 de abril de 1061. No documento, o casal compromete-se a morar juntos e se cuidar mutuamente "todos os dias e todas as noites, para sempre". Segundo Callón, há muitos relatos semelhantes, inclusive com rituais religiosos similares aos heterossexuais, com a diferença de que as bênçãos faziam alusão ao salmo 133 ("Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos"), ao amor de Jesus e João ou a São Sérgio e São Baco.


Sem dogmatismo: Gondim, evangélico contra os excessos neopentecostais. Foto: Olga Vlahou"Trato também na pesquisa de como na lírica ou na prosa galego-portuguesa medievais aparecem alguns exemplos de relações entre homens", diz o professor. "As relações homossexuais são documentáveis em todas as épocas, o que houve foi um processo de adulteração, de falsificação da história, para nos fazer pensar que não." Outro dado importante ressaltado pelo pesquisador é que a perseguição contra os homossexuais vem originalmente do Estado. Só mais tarde a Igreja se converteria na principal fonte do preconceito.

"Os traços básicos do preconceito contra a homossexualidade tiveram sua origem na Baixa Idade Média, entre os séculos XI e XIV. É nessa altura que emerge a intolerância homofóbica, desconhecida na Antiguidade. Inventa-se o pecado da sodomia, inexistente nos mil primeiros anos do cristianismo, a englobar todo o sexo não reprodutivo, mas tendo como principal expoente as relações entre homens ou entre mulheres. Com o tempo, passará a ser o seu único significado", explica Callón.

De fato, a palavra "sodomia" para designar o coito anal em geral e as relações homossexuais em particular, e ao que tudo indica foi introduzida na Bíblia por seu primeiro tradutor ao inglês, o britânico John Wycliffe (1320-1384). Wycliffe traduziu o termo grego arsenokoitai como "pecado de Sodoma". Daí a utilização da palavra "sodomita" para designar os gays, o que acabou veiculando-os para sempre com o relato bíblico das pecadoras cidades de Sodoma e Gomorra, destruídas por Deus com fogo e enxofre para punir a imoralidade de seus habitantes. Mas o significado real de arsenokoitai (literalmente, a junção das palavras "macho" e "cama") é ainda hoje alvo de controvérsia.

O próprio termo "homossexual" para designar as pessoas que preferem se relacionar com outras do mesmo sexo é recente: só passou a existir a partir do século XIX. A versão revisada em inglês da Bíblia, de 1946, é a primeira a utilizá-lo. Isto significa que as menções à "homossexualidade", "sodomia" e "sodomitas" nas escrituras seriam mais uma questão de interpretação do que propriamente de tradução.

"A Bíblia, infelizmente, tem sido usada para defender quaisquer posicionamentos, desde a escravidão (sobram textos que legitimam a escravatura) ao genocídio", opina o pastor Ricardo Gondim, da Igreja Betesda de São Paulo, protestante. "Como o sexo é uma pulsão fundamental da existência, o controle sobre essa pulsão mantém um fascínio enorme sobre quem procura preservar o poder. Assim, o celibato católico e a rígida norma puritana não passam de mecanismos de controle. O uso casuístico das Escrituras na defesa de posturas consideradas conservadoras ou ‘ortodoxas' não passam, como dizia Michel Foucault, de instrumentos de dominação."

"Um teólogo que eu admiro muito, Carlos Mesters, costuma dizer que a Bíblia é uma flor sem defesa. Dependendo da mão e da intencionalidade de quem a usa, a posição mais castradora ou a mais libertadora pode ser defendida usando-a", concorda a pastora Odja Barros, presidente da Aliança de Batistas do Brasil, espécie de dissidência da Igreja Batista que aceita homossexuais entre seus integrantes - são seis igrejas no País. Tudo começou há cinco anos, conta Odja, quando se colocou diante de sua igreja, em Maceió, o desafio: um homossexual converteu-se e não queria abrir mão de seu gênero. Foi uma pequena revolução. Alguns integrantes deixaram a Igreja, outros se juntaram a ela, e houve fiéis que, animados, também resolveram se revelar homossexuais. "Em todas as comunidades evangélicas existem gays, mas são reprimidos", afirma a pastora.

Um dos pontos principais para a compreensão da questão à luz da Bíblia, de acordo com Odja Barros, é desconstruir as leituras mais hegemônicas, patriarcais, que afetam a vida não só dos gays, como das mulheres. Há trechos, por exemplo, que justificam a submissão e a violência contra a mulher. A própria Odja só se tornou pastora graças a essa releitura. "As pessoas vêm me dizer que sou feminista, que sou moderna, mas me sinto muito fiel a algo -muito -antigo, que é a defesa da dignidade do ser humano sobre todas as coisas. O Evangelho tem a ver com esses valores", argumenta. "A sociedade caminhou mais rápido e é um desafio à Igreja, quando deveria ser o contrário."

Entre os católicos, curiosamente, a homossexualidade não é vetada a partir da Bíblia, mas a partir da concepção de que seria antinatural, ou seja, fora do objetivo da procriação. É assim, até hoje, que prega a Igreja, daí a condenação também ao uso de contraceptivos como a camisinha. Tudo isso vem de uma época em que se conhecia muito pouco de biologia. A descoberta do clitóris como fonte do prazer feminino, por exemplo, é do século XVI. O ovário, que sacramentou a diferença entre homem e mulher, só foi descoberto no século XVIII. Até então, pensava-se que a mulher era um homem em desvantagem, um corpo masculino "castrado".

"Além disso, hoje temos conhecimento de uma gama impressionante de comportamentos sexuais entre os animais, o que inclui homossexualidade e hermafroditismo", defende o padre católico James Alison, britânico radicado em São Paulo. Homossexual assumido, Alison conta que se situa numa espécie de "buraco negro" em que se encontram, segundo ele, muitos padres católicos gays: sem função como párocos, não estão subordinados a bispos e, por isso mesmo, escapam de sanções da Igreja. O padre, que vive como teólogo, compara a homossexualidade a ser canhoto. Ou seja, um porcentual- da população nasceria -homossexual, assim como nascem pessoas que escrevem com a mão esquerda. "Aproximadamente 9,5% das pessoas são canhotas e isso também já foi considerado uma patologia."

Alison conta que a Igreja Católica faz um malabarismo ideológico para sustentar a proibição de ser homossexual-, pois no ensino teológico do Vaticano o fato em si não é considerado pecado. "Eles dizem que ‘enquanto a inclinação homossexual não seja em si um pecado, é uma tendência para atos intrinsecamente maus', uma coisa confusa e insustentável a essa altura." O padre acredita, porém, que a aceitação da homossexualidade pelos católicos melhorou sob Bento XVI. "Neste tema, os prudentes calam e os burros gritam. João Paulo II promovia os gritões. Hoje a tendência é prudência. Já não se veem bispos falando publicamente que é uma patologia. Se a Igreja reconhecer que não há patologia, será natural reconhecer a homossexualidade. É um lado bom de Ratzinger, mas tudo isso ocorre caladamente, nos bastidores da Igreja."

Para o padre, a falta de discussão no catolicismo sobre a homossexualidade "emburreceu" as pessoas para o debate em torno da pedofilia, que tanto tem causado danos à imagem da Igreja nos últimos anos. Daí a reação lenta diante das denúncias. E também se tornou um obstáculo à evangelização. "A homofobia instintiva já não é mais realidade, há cada vez mais solidariedade fraterna concreta. Muitos jovens são por natureza gay friendly. E se perguntam: por que seguir Jesus se tenho de odiar os gays?"

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

DR.DRAUZIO VARELLA

“A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados”
Drauzio Varella

A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.


Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.


Os que assim o julgam partem do principio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).

Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?

Se a homossexualidade fosse apenas perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de espécies de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em virtualmente todas as espécies de pássaros, em alguma fase da vida, ocorrem interações homossexuais que envolvem contato genital, que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Co mportamento homossexual envolvendo fêmeas e machos foi documentado em pelo menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

Relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal fazem parte do repertório sexual de todos os primatas não humanos já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a n atureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas rigorosas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou sem vergonha prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser fascistas a ponto de pretender impor sua vontade aos que não pensam como eles.

Afinal, caro leitor, a menos que seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?

(Portal Drauzio Varella)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A INJUSTA GRAÇA DE DEUS


“Não tenho a capacidade de ser claro para quem não quer ser atento”, escreveu Jean Jacques Rousseau em seu “Contrato Social”. Advertência essa que tomo emprestado antes de iniciar este texto.

Portanto, o título deste artigo não está errado. A impressão deste jornal não está equivocada, e o colunista, pelo menos assim o creio, não está louco. Antes que você faça então qualquer julgamento precipitado, sugiro que vá até o ponto final deste texto, para que, aí sim, tire suas conclusões.

Feitas essas considerações, volto a afirmar: A GRAÇA DE DEUS É INJUSTA, e, consequentemente, A JUSTIÇA DE DEUS É INGRATA. Eu sei que ambas as afirmações podem soar como heresia ou como invenção teológica moderna, porém, como a seguir veremos, são duas grandes verdades presentes nas Sagradas Escrituras e tão óbvias que sempre nos passam despercebidas.

Comecemos pelos conceitos

Justiça, como bem entendem os juristas, é dar a cada um aquilo que lhe pertence. O juiz quando julga atribui a cada pessoa os seus direitos e obrigações. Justiça, então, é dar às pessoas aquilo que elas merecem, sejam coisas boas ou más.

O conceito de graça, contrariamente, é favor imerecido. A pessoa recebe algo sem merecer ou sem ter envidado algum esforço para tanto. É ganhar um presente. Uma dádiva.

Os conceitos de justiça e graça são, como visto, diametralmente opostos. Justiça é direito. Graça é favor. Justiça é merecimento. Graça é desmerecimento. Justiça é possibilidade. Graça é necessidade. A justiça divide. A graça soma. A justiça exclui. A graça inclui.

Baseado nisso é que se afirma categoricamente que a graça de Deus é injusta e a justiça de Deus é ingrata, pois uma é contrária a outra. Afinal, se a graça do Criador não fosse injusta ela não seria graciosa; e se a justiça Dele não fosse ingrata também não seria justa.

Para que o assunto fique mais claro, vejamos uma parábola proposta por Jesus (Mt. 19.20-16). É sobre um pai de família que em determinado dia sai à procura de trabalhadores para a sua vinha. De madrugada encontrou com alguns, e, negociando com eles mandou-os para sua vinha por um dinheiro por dia. Na terceira hora viu outros que estavam ociosos, e, também a esses mandou para a vinha, sem, no entanto, ajustarem o valor. Perto da sexta hora, da mesma forma, despachou mais trabalhadores. E, ainda, quando o dia quase terminava, na undécima hora, contratou mais trabalhadores para a sua vinha.

O dia termina. A hora de receber é chegada. O pai de família ordena ao seu administrador para que proceda o pagamento aos trabalhadores, começando do últimos até os primeiros. Forma-se um fila. Os trabalhadores estão alegres. Hora de receber pelo seus esforços. Alguns estão cansados, outros nem tanto.

Os trabalhadores que foram contratados por último chegam até o mordomo, e, cientes de que haviam pouco laborado esperam qualquer valor como pagamento, qualquer coisa é lucro. No entanto, para surpresa deles (e dos demais trabalhadores também), o mordomo paga o valor correspondente a um dia inteiro de trabalho (um dinheiro). Eles ficam eufóricos. Mal podiam acreditar no que estava acontecendo. Trabalharam somente uma hora e receberam por um dia de trabalho.

Imagino que nesse momento, os outros trabalhadores também tenham ficado contentes. Acho que até diziam entre eles: – Se esses aí trabalharam menos que nós, quer dizer então que nós receberemos muito mais que eles!

O mordomo chama na seqüência os trabalhadores das seis horas. Paga a eles o mesmo valor: um dinheiro. E depois, os trabalhadores das três horas, retribuindo-os com a mesma quantia. Penso então que ficaram desconcertados; sem entender o que estava acontecendo. Porém, nenhum deles reclama. Pegam o pagamento e se retiram.

Ao chegar, no entanto, na hora do pagamento daqueles que foram contratados na madrugada é que a coisa complica. O mordomo chama-os, e efetua o pagamento: um dinheiro para cada um. E eles começam a murmurar contra o pai de família: “Estes últimos trabalharam só uma hora, e tu o igualaste a nós, que suportamos a calma e a fadiga do dia” v. 12.

Creio, certamente, que se eu fosse um daqueles homens que trabalharam desde a madrugada e tivesse recebido o mesmo valor que os demais, inclusive os trabalhadores da última hora, eu teria murmurado também. Teria chamado o pai de injusto. Teria arrumado um pé de briga.

Imagino que não somente eu teria feito isso, mas muitas outras pessoas fariam o mesmo; afinal um visão fria e lógica do acontecido nos leva a pensar que estamos diante de uma verdadeira injustiça. Pagar o mesmo salário para trabalhadores que laboraram em quantidades distintas é um absurdo. Premiar todos igualmente parece um enorme equívoco.

Porém, essa visão insensata é estilhaçada com as palavras do pai de família. Conforme ele responde para os trabalhadores que o acusavam: “Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste tu comigo um dinheiro?” v. 13. Em outras palavras ele está dizendo: Fui justo contigo, paguei o que havíamos combinado. Tem-se aqui, portanto, o conceito de justiça na pratica: Dar a cada um aquilo que lhe é devido.

E ele ainda continua: “Toma o que é teu e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? v.14,15. Aqui temos a graça na prática: um favor imerecido àqueles que menos trabalharam.

Philip Yancey denomina o acontecido nessa parábola de a matemática atroz do evangelho, o que, segundo ele, parece ser um absurdo. Eis que a decisão do patrão desafia as regras de economia e da justa recompensa. Da mesma forma que parece um absurdo um pastor deixar noventa e nove ovelhas desamparadas no deserto e partir em busca de somente uma. Afinal, como diz o ditado popular, “mais vale um na mão do que dois voando”?.

Mas o evangelho, pasmem, é repleto de absurdos se analisado segundo a lógica humana. A salvação e a obra de Cristo não é baseada na forma de pensar terrestre. Os atos divinos são incoerentes com o pensamento do homem. É por isso que o evangelho é loucura para todo aquele que crê!

Yancey aduz então que Jesus não proferiu essa parábola visando a dar uma aula sobre benefícios trabalhistas, e sim mostrar a atitude de Deus para conosco. A matemática do reino espiritual parece ser estranha como a que foi usada nessa situação, mas, conforme disse Kierkegaard, o evangelho é assim: altera todas as nossas convicções relacionada a preço e valor.

Portanto, quando se diz que a graça divina é injusta, faz-se menção a uma injustiça benéfica e positiva, que é capaz de proporcionar ao ser humano dádivas as quais eles não teriam condições de atingir por seus esforços próprios. É uma injustiça que favorece a todos os homens, no sentido de promover a igualdade entre eles, independentemente de cor, raça ou religião. É um injustiça santa que nos torna capazes de achegar diante da presença do Criador. É um injustiça amorosa que nos concede aquilo que não podíamos comprar. E, por fim, é um injustiça misericordiosa que não nos pune como deveríamos ser punidos.

Por: Valmir Nascimento Milomem


terça-feira, 9 de agosto de 2011

NÃO QUERO UM DEUS QUE FUNCIONE!





Já decidi: não quero um deus que funcione segundo minhas expectativas.
Não quero um deus que funcione de acordo com minhas orações.

Não quero um deus que funcione de acordo com a minha noção de justiça.

Não quero um deus que funcione a partir das minhas chantagens religiosas e minha birra espiritual.

Não quero um deus que funcione na solução dos meus problemas, para me arranjar um emprego, para curar meu filho, para me ajudar a realizar meus sonhos.

Não quero um deus que funcione toda vez que me coloco para cultuá-lo e ouvir Sua palavra.

Não quero um deus que funcione à base da manivela da minha prática religiosa e de minha limitada piedade.

Não quero um deus que funcione para aliviar minha mente estressada e meu coração carregado dos cuidados deste mundo.

Não quero um deus que seja à minha imagem e semelhança.

Rejeito este relacionamento utilitário com Deus. De olhar para Ele como uma máquina de abençoar pessoas. Como essas máquinas de refrigerante que a gente encontra nas lojas de conveniência. Uma máquina que, para funcionar, precisa das moedas da oração, da leitura da bíblia, do jejum, da participação regular nas atividades da igreja, do exercício constante e rígido para manter a santidade e não pecar, e assim por diante. Não quero um deus conveniente.

Rejeito esse evangelho que diz que Deus irá me abençoar apenas quando eu fizer determinadas coisas corretamente, que irá amar-me mais se eu tiver determinadas atitudes, que irá escolher-me para coisas importantes se meu coração estiver perfeito em sua presença.

Não quero um deus que funcione a partir de mim mesmo. Esse não é o deus verdadeiro, mas sim o resultado frágil do meu próprio egoísmo, que lá no fundo busca um deus que lhe sirva para todos os fins.

Não, não quero um deus para funcionar. Hoje eu quero um Deus para me relacionar, para conhecer na intimidade, para reconhecer Sua soberania e submeter-me aos Seus propósitos. Quero um Deus para adorar, para amar, para me entregar, ainda que em minha vida as coisas não funcionem como eu gostaria . Quero um Deus para crer e manter-me fiel, ainda que isso implique em permanecer enfermo, desempregado, ou viver outras circunstâncias contrárias.

Não estou procurando funcionalidade, mas relacionamento. Talvez o mesmo relacionamento do filho pródigo com seu pai (Lc 15). Um relacionamento baseado na graça e no amor do Pai, o qual, em todo o tempo, manteve aberta a porta do abraço e do beijo.

Quero ter com Deus o relacionamento de Arão, cujo privilégio foi ouvir do próprio Deus: “Na sua terra herança nenhuma terás, e no meio deles nenhuma porção terás,: eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel.” (Números 18:20).

Já decidi: esse será o grande alvo da minha vida!

Deus nos abençoe

TEXTO DE
Pr. Luiz Henrique Solano Rossi

domingo, 26 de junho de 2011

FILHO PRÓDIGO E PAI AUSENTE

Lucas 15.11 A História do filho pródigo, muito conhecida.....
Mas, porque alguém que tem tudo ainda sente falta de alguma coisa?

Deus não se sensibiliza por nossos caprichos, (nem do pai e nem do filho).

Quando um filho chega ao pai e pede sua parte na herança, o pai podia não ter lhe dado nada, ou ter dado um belo anel, ou uma festa ou até mesmo roupas novas na intenção de mudar a intenção de seu filho, mas o pai não queria nada a menos que o amor de seu filho.

MAS ESQUECE QUE O AMOR TAMBEM É ALGO ENSINADO EM CONVIVIO AO LONGO DOS ANOS.

Hoje existe pai reféns de seus filhos sendo chantageado se não fizer os seus gosto.
O pai erra quando supre as necessidades do filho fazendo os seus gosto. Muitas vezes o filho não descobriu sua identidade, ainda não construiu um significado de vida, e com isso fica de olhos no que outras pessoas tem, ou como seria bom viver uma vida em meio aos prazeres.

Os pais erram quando, o filho chega da escola ou da rua, ao invés de ficar surpreso ele olha para sua roupa e reclama, essa roupa esta toda suja, ou, como você a rasgou, ou vai lavar essas mãos e rosto esta todo soado. Ele se aproxima do pai para levar bronca. Não demonstram emoção com a chegada do filho, e assim vai distanciando e criando no filho valores de que a roupa é mais importante que ele.

Os filhos enxerga o pai como um ídolo, e sempre quando precisa de sua atenção, o pai diz agora não, estou atrasado para o trabalho ou, agora não, quero relaxar um pouco assistindo televisão, pois o trabalho, a condução o chefe me deixa estressado, enfim, mais uma vez ensina que o filho só vem para acrescentar desgaste ao pai tão trabalhador.

Depois a busca diária ao dinheiro, estatus, carros demonstram como o filho é algo em segundo plano em preocupação.
E algo ainda muito ruim, e com o medo de que seu filho vire uma gay ou lésbica, incentiva ao filho viver correndo atrás de garotos ou garotas,

são tantos tempo enraizando visões distorcidas e erradas, que um dia ele percebe que nada que ele tem é o suficiente e que aquele espaço é de seus pais não dele e precisa sair de lá, pois precisa ter vida própria, ou até mesmo viver a vida que o pai passou anos embutindo em sua cabeça, e para isso a única coisa que ele acredita realmente ser dele é parte na herança.

Em posse de sua parte na herança ele vai em busca de criar sua verdadeira identidade, e nessa busca ele só sabe o que já foi ensinado. O dinheiro, os prazeres os amigos, somado a valores distorcidos o detonam, e agora todo machucado, mal cheiroso, decepcionado, com fome e sem um lar, não tem para onde ir, humilhado precisa andar, e para qualquer direção que não seja a de sua casa não dar para ir, pois todas requerem algo que ele não tem. A caminhada para volta a casa, é longa e a única companhia é sua consciência lhe acusando e a lembrança de como ele será visto pelo seu pai, todo rasgado, sujo, soado. Isso quando somado, ainda vem o drogado, a grávida, o ferido.


Tenho que deparar com o irmão que ficou, e meu pai será que vai fazer uma festa, me dar um anel ou ao menos me aceitar? E se eu chegar e nada mudou, tudo esta andando normalmente, eu não fiz falta nenhuma...

Quem é o verdadeiro causador de tudo isso? O filho, os pais!

Agora eu vou, e sei quem eu não sou, estou à procura de quem eu sou, tentando achar quem me ama da maneira que sou...

O importante é não parar, é seguir o amor... Ele nos apontará o caminho, pois eu sou do meu amado e Ele é meu. Porque dele e por Ele para Ele são todas as coisas.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Legalização dos direitos conferidos aos homossexuais.

As igrejas estão a pavorosa, desesperada, com os direitos reservados aos gays. O que fazer? é uma pena que a igreja ao longo dos anos, não aprendeu ainda como ser igreja...


Você consegue ver Jesus na porta de tribunais fazendo protesto porque as leis deste mundo não são como os princípios do Reino de Deus?

Ora, quando Ele esteve no Tribunal não respondeu nem mesmo o que era a Verdade!

Esse clamor não vem de Jesus, mas do ladrão amargurado: “Se és o Filho de Deus, salva-te a ti mesmo e a nós também!”

Se Deus fosse olhar essas questões apenas quando uma lei passasse, meu Deus, o melhor seria não fazer leis!

Essas leis regulamentam relações humanas, e entre elas há leis boas e leis más; mas a igreja só tem interesse naquilo que diz respeito à Moral, pois no que diz respeito às injustiças ela sempre fica do lado mais forte.

Quem quiser lutar contra essa lei, faça-o em seu próprio nome, mas não o faça levando o nome de cristão, visto que tal comportamento tanto não condiz com Jesus como também não se o vê nos apóstolos.

Só pensa assim aquele para quem o reino de Deus é neste mundo, e vem com visível aparência!

Essa igreja que vai fazer protestos na porta do Fórum foi criada não por Jesus, mas por Constantino, em 332 d.C.

Antes disso, para os discípulos de Jesus, cabia viver o Evangelho; e eram as leis dos homens que iam contra os discípulos. Veja que diferença!

Em Roma era elegante ser gay. Mesmo quem não era muitas vezes praticava. Não era algo Legal, mas era Moralmente aceito e até estimulado, pois, em muitas ocasiões, isso fez parte da melhor educação de um homem.

E o que os discípulos fizeram? Fizeram passeatas e protestos?

Não se conformar com este mundo começa por não acreditar que os meios deste mundo sirvam à causa do Reino de Deus!

O Caminho de Jesus é outro:

“Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam para que eu não fosse entregue... Mas, agora, o meu reino não é daqui”, disse o Senhor.

O único tipo de protesto da igreja deveria ser é aquele que Jesus ensinou, e Gandhi praticou, não nós. Ou seja: esmagar os adversários da verdade com amor e graça, sem medo, sem moralismos e sem ódio.

E mais: as causas não seriam jamais essas... E os meios jamais seriam esses -- não em nome de Deus!

Para mim tudo isso é bobagem; são os mortos sepultando os seus próprios mortos. Tanto quem briga de um lado como quem briga do outro. Ambos os grupos são infantis quando tornam isto uma questão religiosa, como acontece com a criação de igrejas-gay, o que, a meu ver, é bobagem também, pois se leio, sinto e vejo corretamente as coisas, a Igreja deveria ser, no mínimo, uma Cidade de Refúgio, um lugar onde as leis cessassem a fim de que os homens pudessem tomar fôlego!

Por isso, ouço Jesus dizer: “Quanto a ti, vai e prega o reino de Deus!”

Não se conformar com este século é renovar o entendimento, conforme o Evangelho da Graça. Não é nada além disso. Não nos leva com placas na mão a nenhum lugar de protesto, mas nos põe no chão da vida com um olhar de misericórdia.

Meu Deus! A Graça é só para cristãos? Ora, de acordo com Jesus, quem pensa assim são os pagãos, pois amam apenas os amigos e os iguais.

A Graça é para o mundo; para maus e bons; para justos e injustos; pois Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo. O problema é que a “igreja” se alimenta de ressentimento e de ódio moralista e legalista; não do espírito da Graça, conforme o Evangelho.

De fato, isto só acontece assim porque a “igreja” crê que o reino é deste mundo. É por isso que a “igreja” busca poder na terra.

Quem gosta de uma religião de poder terreno deveria deixar de confessar a fé em Jesus e entrar na briga pela posse da Terra com os muçulmanos ou com qualquer outro grupo ou partido político ou religioso.

Jesus não veio fundar uma Teocracia. Ele não é o "Xeique Jesus de Nazaré". Ele não labora nem na causa de Bin Laden e nem na do Rev. Jerry Fawell, da "maioria moral" americana.

A Igreja americana é católica em suas aspirações de poder. Os Protestantes americanos crêem que a América é uma Teocracia, ao mesmo tempo em que querem que ela seja uma Democracia. Pura contradição de termos e conteúdos!

Eu não creio em teocracias. Eu creio no Reino de Deus, e que hoje está entre nós; porém, sem visível aparência, visto que está em nós... e se manifesta por gestos e palavras de amor, justiça, misericórdia e Graça.

O poder da Igreja vem da subversão do amor!

Foi isso que Jesus ensinou, e é nisso que creio!

O resto, para mim, é fruto ainda da Síndrome de Constantino; um mal aparentemente sem cura para a igreja; uma espécie de AIDS da “igreja”: deixou-a vulnerável a tudo, e com uma consciência moralista tão infantil quanto a dos terroristas que em nome de Deus estão tentando mudar o mundo.

Todas essas coisas são filhas do ódio, não do amor!

Quem quiser discordar discorde, mas discorde em nome da moral, não do Evangelho; e se desejar ir... que vá em seu próprio nome e em nome de suas próprias ambições e morais, mas, pelo amor de Deus, não vá em nome de Jesus, pois é abominação; é um mal maior do que aquele pretendem combater.

Enquanto a “igreja” não entender que o mal é o ódio e a indignação vingativa, ela será apenas agente de Satanás, mesmo pensando que serve a Deus. Todo acusador de homens não trabalha para Deus.

Os profetas de Israel falavam coisas em nome de Deus para uma nação que havia feito um pacto com Deus. Esse tempo acabou. O Evangelho diluiu de vez esse geografismo santo, e nos pôs a todos com a missão de peregrinos e estrangeiros, servindo a Deus em todas as nações, anunciando a Boa Nova; e sem nenhuma ambição por poder terreno; não para a Igreja.

Sendo do Evangelho, nem mais Protestante eu sou. Não tenho um Protesto, tenho uma Proposta; e essa é a Boa Nova.

Se quisermos ainda ser ouvidos pelo mundo, temos que nos convencer de vez que o mundo não vai na nossa conversa, seja ela qual for, venha ela como vier. Jesus disse que o único poder capaz de esmagar o mundo e calá-lo é o amor (João 17).

E quanto aos gays, são gente também, como as prostitutas, os pastores, e os demais pecadores da Terra. Todos igualmente carentes da glória de Deus.

E sobre se tais leis mudam a nação, digo-lhe que não. Essa é uma lei de concessão, não de dever. E não conheço ninguém que faça tal opção só por fazer. Os que chamam isto de “opção” deveriam fazer outra opção, visto que se é só escolha, que escolham, então, o melhor para si mesmos; e certamente “escolher” ser gay é um imenso problema para a existência de qualquer um -- vide o que você mesmo constata como resposta de ódio a tal “opção”.

A questão é que há muitos para os quais isto nunca foi uma “opção”, mas sempre foi um fato. E eu não me preocupo com isso mais do que me preocupo com qualquer outra coisa, visto que creio que Deus sabe como lidar com gays, pois vejo-o lidando com gente como eu, que pertence uma classe muito mais perniciosa, a dos pastores...

Sim! Os pastores! Jesus disse que quem ensina errado e se arroga a ser mestre receberá muito mais sério juízo, especialmente se o que ensinou não foi misericórdia!

Pobres dos credores incompassivos, esquecidos de sua própria dívida imensa; incapazes de usar de misericórdia, conforme a misericórdia recebida!

Quem prega o Evangelho não prega Lei. Quem prega Lei não prega o Evangelho. E quem crê no Reino de Deus sabe que tem muito mais o que fazer do que ser "satanás" de quem quer que seja.

Afinal, a questão das questões não é “Eu era heterossexual, e tu me defendeste; eu era senador, e tu me apoiaste; eu era um cristão, e defendeste as leis do estado em favor dos interesses da igreja...”

Ao contrário, a questão é bem outra, e não nos envia aos Fóruns, em nome de Deus, a fim de defender nenhuma moral; mas nos põe em lugares onde a “igreja” não tem muito prazer em freqüentar, e realizando missões que ela também costuma menosprezar: “Estive nu, e me vestiste; enfermo, e foste ver-me; preso, e foste visitar-me; sem teto, e me acolheste...”

Este é o Evangelho de Jesus. O Resto é Cristianismo, a Religião de Constantino!

(colocação do Pastor caio Fabio, achei sábia e inteligente, trouxe para aprendemos)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Perguntas frequentes a condição homossexual....

1. Se a Igreja condena a homossexualidade, como é possível uma pessoa gay ser cristã?


Antes de responder esta complexa pergunta, é importante distinguir com clareza alguns termos.

Você sabe exatamente o que quer dizer a palavra Igreja? Quando se fala em Igreja não se pode pensar apenas no Papa, Pastores, Missíonários, nos bispos e no clero.

Igreja é uma realidade múltipla, plural, que abraça a todos, da criança ao velho. É todo o povo de Deus que acredita em Jesus, o Cristo, e procura viver de acordo com a vida dele.

Portanto, dizer que a Igreja não aceita as pessoas homossexuais é generalizar.

Essa afirmação costuma remeter à posição dos documentos oficiais que abordam a questão. Mas há outros posicionamentos possíveis. Veja o quanto é o numero de igrejas que tem posturas proibitivas diferentes uma das outras, Católicas, Adventistas,Congregação Cristã, Batista e muitas outras. Temos a imensa alegria de seguir Jesus Cristo e compreender que, por ser diversa, a Igreja acolhe as diferenças humanas.

Importante também é você compreender o significado do termo Magistério quando usado no contexto eclesiástico, bem como algumas de suas atribuições.

Magistério ou Ministério da Igreja se refere à função e autoridade próprias da hierarquia (Missionário, Pastores, Presbiteros e etc.

O Ministério recebeu de Deus o carisma para interpretar a fé viva da Igreja. Em linguagem teológica, é o responsável por acolher todo dado de fé que surge a partir do encontro entre uma situação nova e a Revelação divina.

O Ministério deve acompanhar a imensa comunidade dos que crêem, guardando aquilo que é fundamental e não pode se perder ou ser imparcial nas contínuas mudanças que as sociedades enfrentam com o passar do tempo.


Antes a abordagem da homossexualidade nos documentos ministeriais pareciam indicar que uma pessoa gay só poderia ser cristã se optasse por viver no celibato. Contráriava a própria bíblia, pois Cada um conhece sua necessidade de viver sem sexo, pois é melhor ter alguem para o satisfazer ao viver uma vida promíscua.

Por exemplo, o caso da salvação. Antes foi expresso como doutrina que os de fora da Igreja Católica não poderiam se salvar. Foi doutrina, mas não se mostrou definitiva. O Concílio Vaticano II gerou documentos que abrem a perspectiva da salvação para os que crêem em Cristo, mas não na comunhão da Igreja católica; para os que crêem em Deus, mas não no Cristo; e até para os que não crêem em Deus, mas vivem de acordo com os valores retos da sua consciência. Através de Lutero, hoje existem muitas igrejas evangélicas, pentecostal, adventista, que provam que a salvação não é exclusivo aos que participam da igreja católica. Lembrando, então antes de Lutero a salvação era só para os católicos, realmente voce acredita nisso? que Deus ficou indiferente a humanidade todos esses anos...

Outro aspecto a considerar é o fato do Mimistério ou Magistério da Igreja não ocupar posição absoluta.

A igreja reconhece que cada ser humano deve antepor qualquer dever ou lei à sua própria consciência. “A consciência é o núcleo mais secreto e o sacrário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser”

O acima citado indica que a mediação plena para a ação do homem é a sua consciência. Obedecer à consciência é o que se pode fazer de melhor para agradar a Deus.

É claro que uma consciência inadequadamente formada pode acolher qualquer conceito como verdade, seguindo apenas critérios de conveniência, mas cuidado... “Não raro, porém acontece que a consciência erra, por ignorância invencível, sem por isso perder a própria dignidade. Outro tanto não se pode dizer quando o homem se descuida de procurar a verdade e o bem...”

Por isso a obrigação de todo cristão e, de modo geral, de todo ser humano é buscar formação e desejar a verdade. Quando a pessoa procura confrontar-se sem medo com o que é dito e, mesmo assim, percebe que sua consciência indica um caminho distinto, ela “não deve ser forçada a agir contra a própria consciência”. Pois sua salvação é individual.

É ainda preciso considerar que o Ministério realiza sua missão de discernimento da doutrina e dos costumes morais baseado nos diversos elementos que compõem a Igreja:

• a Tradição oral e escrita (Sagrada Escritura);
• as posições do Magistério e dos Doutores da Igreja que compõem a tradição eclesial;
• o senso comum dos fiéis: a sensibilidade do povo de Deus para assuntos que digam respeito à fé, já que o Espírito Santo é derramado e age em toda a comunidade dos crentes.

Se o discernimento é levado a sério gera , ainda que lentamente, uma maior abertura quanto à compreensão da situação e dos anseios das pessoas gays (não por malévola propaganda organizada, e sim como fruto do que as ciências humanas vêm afirmando sobre a condição homossexual), há de se esperar reflexos no Magistério.

Os documentos recentes podem trazer formulações que julgamos não traduzir adequadamente a maneira como as pessoas gays compreendem o seu amor. Mas, considerando o conjunto de pronunciamentos oficiais que abordam a questão, é possível perceber pequenos avanços – ainda que prejudicados com o uso de expressões negativas muito fortes.



2. Quais são as bases para a Igreja condenar a homossexualidade?


A homossexualidade em si não é vista pela Igreja como pecado.

Em concordância com as ciências humanas – e, talvez, até mesmo como resultado das ciências humanas e sociais –, a Igreja entende que a homossexualidade é uma tendência, uma orientação: não uma escolha ou opção. Daí a orientação homossexual não poder ser classificada enquanto pecado, já que este inclui sempre uma dimensão de ação pessoal.

Se orientação homossexual não é pecado, outra é a avaliação do Magistério com relação aos atos que provêm da orientação: estes sim, seriam pecaminosos.

A Igreja realiza tal juízo baseada em:

• certos textos bíblicos que mencionam relações entre pessoas do mesmo sexo (cuja interpretação tem ganhado novas matizes considerando a cultura da época e o fato de serem situações muito diferentes do que hoje chamamos homossexualidade;
• no ensino tradicional do Magistério;
• na chamada “lei natural”.

“Lei natural” seria a orientação inerente à vida humana que ganha sentido por ter sido criada por Deus. A criação – e nela, o ser humano – possuiria, em si mesma, uma orientação a ser respeitada, pois provém do próprio Deus, não da cultura ou de tradições sociais.

A “lei natural” faz com que a Igreja compreenda todo ato sexual como necessario e não somente aberto à procriação. Isso é provado através do uso de contraceptivos, mulheres que nasce estéreis ou não querem ter filhos.

Nas últimas décadas, tem se insistido também na dimensão unitiva do ato sexual: um encontro profundo entre duas pessoas que renova e expressa seu amor.

Por estar presente em todos os seres humanos, a “lei natural” justificaria um discurso universal, e não apenas dirigido aos fiéis.

A existência de uma “lei natural” imutável para todos os seres humanos, contendo tantas especificações como as interpretadas pelo Magistério, não é de modo algum compartilhado por outras instâncias no mundo de hoje.

O avanço do pluralismo, a maior comunicação entre diferentes culturas e o reflexo de tais processos em ciências como a Antropologia e a Sociologia tornou possível a percepção que muitas das afirmações aparentemente naturais ao ser humano eram, sim, naturais a culturas específicas.

Inúmeros fatores sustentavam uma certa visão de ser humano como aplicável a todos. Mesmo as instâncias que entendem haver uma lei natural, discutem se dela se podem auferir tantas especificações, orientações tão pormenorizadas.

Pensemos, por exemplo, na dimensão procriativa inerente à atividade sexual segundo a interpretação que a tem Igreja acerca da “lei natural”.

A dimensão procriativa da sexualidade teria papel importante na medida em que resguarda o ato sexual de ser mero ato fechado em um gozo egoísta. Evitaria a instrumentalização do outro, torná-lo objeto de satisfação egocêntrica.

De fato, o ato sexual deve gerar vida. Mas será que isso implica necessariamente em gerar filhos?

Todo ato sexual vivido na doação de si mesmo ao outro, na acolhida da outra pessoa, num amor sincero não é também gerador de vida? Um casal heterossexual que, em certo momento da vida, se abstém da possibilidade de gerar filhos utilizando métodos contraceptivos não está pensando em uma vida mais plena para a descendência futura?

Nem sempre o sinal de abertura à vida significa a geração de filhos. Se assim fosse, atos sexuais de pessoas comprovadamente estéreis não seriam lícitos de acordo com a “lei natural”.

Quanto à dimensão unitiva, a complementariedade entre pessoas expressada e aprofundada no ato sexual não diz respeito somente à completude corpo de homem/corpo de mulher, e sim pessoas que amam e estão disposta a formar família, ainda que não tenha filhos, ou não possam, ou sejam homossexuais.

Poderíamos continuar crendo que os traços orgânicos, anatômicos definem as pessoas e suas relações com o mundo, quando, na verdade, o que importa é a compreensão a respeito de si, ainda que a partir de uma base física, que a pessoa possui e forjará suas relações.

Se, mais do que a ação de glândulas, o que nos faz ser humanos é o “eu” – a subjetividade própria de cada um –, então nossa sexualidade tem mais a ver com “cabeça” do que com anatomia.

Por isso, não é possível dizer que corpos homem-mulher são complementares para todas as pessoas. Trata-se de uma verdade plena para heterossexuais. A completude expressa pelos corpos na união sexual é, sim, a expressão de uma vida, de um encontro que abarca toda a pessoa em relação à outra, se esta dimensão unitiva chama a atenção para o caráter humanizante do ato sexual em uma relação, isto é verdade para qualquer relação de amor entre duas pessoas, mesmo que sejam um casal homossexual.



3. O cristão gay que mantenha um relacionamento está em pecado?



Alguns documentos da Igreja classificam os atos homossexuais como “intrinsecamente desordenados”. Importante frisar que, de acordo com a doutrina, “desordem” é uma classificação insuficiente para determinar o pecado.

Pode parecer estranho à primeira vista, mas há nuances que distinguem os conceitos de “desordenado, errado, mau” e “pecado”.

A Teologia Moral cristã chama de pecado a circunstância que reúna três elementos: matéria grave, liberdade na ação e consciência de que aquilo é pecado. Só a junção dos três elementos caracteriza pecado grave, segundo a Igreja.

A lei que ensina que verdadeiramente somos livres, em Cristo.: “Pela fidelidade à voz da consciência, os cristãos estão unidos aos demais homens, no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social” Quem orienta sua conduta na direção da verdade sincera e tem uma consciência bem formada deve, então, seguir a voz de sua consciência. É o que a Igreja espera de todos os cristãos.

Muitos cristãos gays simplesmente não reconhecem suas vidas e seus relacionamentos na forma “desordenada” de que falam alguns documentos. Por isso, como diz o texto conciliar mencionado no parágrafo anterior, não podem ir contra a sua consciência se esta não os acusa de estar em pecado.

A situação pode gerar muita insegurança em algumas pessoas de fé. Mas é de se questionar se tal insegurança não seria fruto de certo infantilismo espiritual que tem o Ministério como instância substituta da própria consciência: uma espécie de “Super-ego”. O Ministério não pode, nem se pretende ser, substituto da consciência dos cristãos.

Confrontar-se com uma consciência bem formada e agir em conformidade a ela. Estas são as características de um cristão “maior de idade” segundo Karl Rahner, um dos maiores teólogos do século XX. Disse Rahner: “Mas, em última instância (o cristão) terá que perguntar-se perante Deus e sua consciência, sem que seu espírito lúcido se deixe subornar, a partir de uma consciência limpa e, naturalmente, através de todos os meios que dispõe nestes casos um homem e um cristão, qual é a sua convicção pessoal e sua decisão nesse caso concreto” (RAHNER, K. Artigo “ El Cristiano Mayor de Edad” ).

Com relação específica às uniões gays, Jan Visser, um dos grandes moralistas da atualidade, afirmou: “Quando alguém está lidando com pessoas que são profundamente homossexuais que estarão em sérios problemas pessoais e talvez sociais, a não ser que eles se mantenham em uma parceria ao longo da sua vida homossexual, essa pessoa que as assiste pode recomendar-lhes que procurem tal parceria, e aceitar este relacionamento como o melhor que pode ser realizado na situação atual.”

Importante mencionar que Visser trabalhou na equipe que compôs o documento Declaração sobre algumas questões de Ética Sexual , de 1975, que faz uma avaliação negativa da homossexualidade. Posteriormente, como vimos na citação acima, ele admitiu poder haver uma diferente avaliação de acordo com casos concretos.



4. O Antigo Testamento condena a homossexualidade?


A Bíblia traz algumas passagens que tratam da relação sexual entre pessoas do mesmo sexo. Antes de abordá-las, é necessário fazer uma escolha clara a respeito do tipo de interpretação que realizamos ao ler a Bíblia.

Todo cristão convicto de sua fé compreende a Sagrada Escritura como Palavra de Deus que revela, pela história da salvação presente no Antigo e no Novo Testamento, seu amor por toda a humanidade.

Por ser Palavra de Deus, a Bíblia pode dar a equivocada impressão de ser fruto de um ditado divino ou resultado de alguma experiência mística em que o homem tivesse sido mero instrumento para “receber” a Palavra e escrevê-la.

O testemunho da presença de Deus não foi recebido diretamente do céu. Não podemos perder de vista que, desde a experiência da libertação do povo no Egito, Deus se deixa encontrar nos acontecimentos humanos, na história, na vida concreta. As palavras são divinamente inspiradas, mas refletem também a cultura, a maneira de entender o mundo, a vida própria dos seres humanos de cada época.

Quem ignora que Deus nos fala através de fatos na história acaba por desconsiderar a diferença entre a cultura da época do texto e a compreensão atual das coisas.

Mas se Deus nos fala em linguagem humana, em épocas específicas com formas próprias de entendimento. Para compreender de verdade o que ele disse então e permanecerá sempre válido, será preciso entender aquela cultura para decifrarmos a mensagem divina ali presente. O divino, o eterno sempre vem unido, assumido pelo humano, pelo transitório, numa síntese que se dá no mesmo sentido da encarnação do Filho de Deus.

O método mais usado pela Teologia para tal é o chamado Histórico-crítico. Este método foi reconhecido pela Igreja como sendo eficaz para se chegar, por meio da investigação da cultura de cada época presente na Bíblia ao que, de fato, o autor quis afirmar sendo isto sim a palavra divina*.

Desta forma, não basta ler a Bíblia para compreender o que Deus nos está revelando. É preciso interpretar as entrelinhas, muitas vezes imperceptíveis à primeira vista, quando o texto traz fortes marcas culturais de uma época.

Colocadas estas importantes questões que dizem respeito à interpretação da Bíblia, voltemos à pergunta colocada.
Os textos mais usados para basear uma possível condenação da homossexualidade na Bíblia estão nos livros do Gênesis (Gn 19, 1-11), Levítico (Lv 18,22 e 20, 13), Juízes (Jz 19,22-30) e na carta de São Paulo aos Romanos (Rm 1,26-27 – veja a pergunta 5) .

Vamos analisar, de acordo com a interpretação não-fundamentalista, aquela que leva em conta o contexto cultural da época, cada um dos textos do Antigo Testamento mencionados acima.

• Gn 19, 1-11: Episódio que trata da destruição de Sodoma e Gomorra. Lot acolhe estrangeiros em sua casa: na verdade, são anjos de Deus. Os homens da cidade vão até à casa de Lot, pedindo que os entreguem a eles para que mantenham relações sexuais. Lot se nega a fazê-lo porque os homens estrangeiros se “acham debaixo da proteção do seu teto” (versículo 8). Ou seja, o crime de Sodoma e Gomorra foi violar o sagrado costume da hospitalidade. Jó não se recusa a entregar seus convidados aos homens da cidade, alegando a imoralidade de tais relações, mas porque estavam eles em sua casa. Era seu dever, portanto protegê-los do que seria um possível estupro grupal masculino**.
• Jz 19, 22-30: Aqui, o que também impede que o homem hospedado na casa do idoso tenha relações sexuais forçadas com os homens do lugar é a infração do dever da hospitalidade, como se pode perceber pelas palavras do dono da casa: “Não sejam tão perversos. Já que esse homem é meu hóspede não cometam essa loucura”. (v. 23).
• Lv 18, 22 e 20, 13: A proibição de “deitar-se com um homem como se faz com uma mulher” está numa parte mais ampla sobre relações sexuais ilícitas (Lv 18, 1-30) do livro do Levítico. O versículo 13 do capítulo 20 parece ser um desenvolvimento do preceito de Lv 18,22.

O livro do Levítico é um dos mais antigos da Bíblia. Trata-se de uma reunião das leis surgidas ao longo dos primeiros anos da história de Israel como povo, após a libertação do Egito.

Neste contexto, Israel é uma nação jovem que ocupa território vizinho a outros povos que não seguem Javé. É preciso, antes de tudo, fazer com que Israel assuma uma identidade própria. É preciso que todo descendente de judeu libertado no Egito entenda que tem uma nacionalidade, uma terra e um Deus que o distinguem dos outros povos. Daí Deus exigir: “Não procedam como se procede no Egito, onde vocês moraram, nem como se procede na terra de Canaã, para onde os estou levando. Não sigam as suas práticas” (Lv 18, 3). Esta é a razão da longa lista de pecados sexuais no texto. Ela é uma maneira de reafirmar a pertença do judeu ao povo de Israel e distingui-lo de outras nações.

Para nós pode parecer estranho que a construção da identidade nacional passe por algo tão íntimo quanto a vida sexual. E aqui está uma importante diferença entre a sexualidade como é entendida em nossos dias e como era vista na época do livro do Levítico. Diferença essa que, esclarecida, nos ajudará a compreender a aplicação de tal texto para os nossos dias.

Hoje em dia, se tem plena noção de que cada pessoa é um indivíduo com consciência pessoal e interioridade própria; com um “eu” que o torna diverso de todas as outras criaturas na face da Terra. Esse “eu” é o lugar da “profunda interioridade” de onde surge o que cada um tem de mais específico, de mais próprio. O “eu” é a real identidade de cada um de nós.

Se, para nós, é claro que a consciência e a interioridade são o que determinam o “eu” de cada um e, por isto, em última instância, são o que determinam a sua pessoa, o mesmo não acontece no Antigo Testamento. O conceito mesmo de “pessoa” vai surgir muito depois, já no cristianismo.

Os primeiros textos do Antigo Testamento nem mesmo reconhecem a individualidade de cada um, mas somente o grupo , o clã. É por isso que tantas vezes se encontra nesta parte da Bíblia a afirmação de que Deus castiga os pecados dos pais nos filhos (Ex 20,5; Nm 14,18; Dt 5,9; etc.). Se para nós parece injusto – já que cada um deve arcar com a conseqüência dos próprios atos –, só é injusto porque entendemos que cada um, os filhos e os pais, por mais que sejam próximos, são indivíduos distintos. Já que as culturas do Antigo Testamento não tinham tão evidente a noção da individualidade, pensava-se em termos de clã. Daí não ser estranho que pessoas do mesmo grupo tivessem a mesma sorte.

Há uma diferença fundamental entre a nossa compreensão de pessoa e aquela presente nos primeiros textos do Antigo Testamento. Por faltar a noção de individualidade, o papel que o ser humano ocupava na sociedade era a função que ele desempenhava no grupo. Ou seja, o “eu” não vinha da consciência, da interioridade, mas do exterior: a pessoa era aquilo que ela fazia.
Sem conhecer a interioridade que origina o “eu” pessoal, a identidade das pessoas vinha da função que exerciam na sociedade. Um exemplo simplório de como o papel social acaba, em algum nível, originando identidade é o “Seu Antônio da padaria”, o “João Pedreiro”, etc.

Sendo assim, no Antigo Testamento, não havia lugar para se compreender a homossexualidade da maneira como hoje a entendemos. Se era o “exterior” que determinava o “interior” da pessoa, o fato de nascer “homem” ou “mulher” era o suficiente para determinar que tipo de relações iriam ser construídas.

A compreensão de pessoa da época não dava espaço a qualquer manifestação que partisse de afetividade ou de um “eu” pessoal distinto do papel na sociedade, já que, como vimos, era o papel social que determinava a pessoa. Compreendendo-se este raciocínio, entendemos também como outras manifestações que desafiam o papel social e pressupõem uma atitude mais pessoal não eram entendidos no Antigo Testamento, como o celibato. Se o homem e a mulher têm capacidade reprodutora, o que a sociedade esperava deles é que se reproduzissem.

Desta forma, a condenação presente no livro do Levítico de um homem “deitar-se com um outro como se faz com uma mulher” serve tanto para ressaltar a identidade do judeu como membro do povo israelita – já que outros povos praticavam tais atos –, quanto para dar a identidade específica a cada um dentro do povo de Israel, identidade essa formada não a partir da consciência pessoal, mas dos papéis desempenhados na sociedade.

Bem diferente é a questão da homossexualidade nos dias de hoje. Não é mais a sociedade, em última instância, que determina o indivíduo (ainda que tenha um importante papel no processo), mas a sua própria consciência. Além disso, as sociedades atuais se encontram em outros estágios de desenvolvimento, onde são possíveis papéis sociais bem mais flexíveis.


5. Por que Paulo, na carta aos Romanos, afirma que a homossexualidade é anti-natural?



A única passagem do Novo Testamento que faz menção a relações entre pessoas do mesmo sexo está no primeiro capítulo da carta aos romanos (Rm 1, 26-27).

Usamos a expressão “relações entre pessoas do mesmo sexo” pois seria discrepância histórica aplicar o termo “homossexualidade” à passagem. Sempre houve relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, mas a compreensão de homossexualidade só surgiu no século XIX (é relativamente recente a consciência de ser uma “orientação” independente de escolha e elemento constitutivo da interioridade, do “eu” de muitos indivíduos).

Antes de fazer uma aplicação direta do texto de Paulo – escrito no século I – para os nossos dias – vinte séculos depois –, temos que considerar como eram entendidas as relações entre pessoas do mesmo sexo naquela época e compreender os conceitos usados na passagem em questão.

Um texto reflete a maneira que o autor vivencia a realidade de seu tempo. Não se deve aplicar a escritos bíblicos o entendimento atual da realidade, e sim deixar que eles falem por si. É cotejando a realidade de hoje com a de então que nossos dias podem ser iluminados pelas palavras do texto. Tal postura em relação à interpretação da Bíblia foi recomendada pelo Concílio Vaticano II.

Vejamos o caso da epístola aos romanos. Diz o texto: “Por isso Deus os entregou a paixões aviltantes: suas mulheres mudaram as relações naturais por relações contra a natureza; igualmente os homens, deixando a relação natural com a mulher , arderam em desejo uns para com os outros, praticando torpezas homens com homens e recebendo em si mesmos a paga da sua aberração.”

Paulo escreve para uma comunidade majoritariamente formada por cristãos vindos do judaísmo residentes em Roma. Na capital do imenso império de numerosos povos, era comum o convívio de diferentes culturas e diversas crenças, ainda que houvesse uma religião oficial do Império.

Em pleno “caldeirão” de povos e culturas, Paulo realça a identidade judaico-cristã da comunidade para a qual escreve. Em versículo anterior à passagem destacada, ele lembra que à diferença de todos: eles não são idolatras pois não trocaram a “Glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis.” (Rm 1, 23). Como conseqüência da idolatria, Deus entregou homens e mulheres à impureza sexual.

Tais relações de homem com homem e entre mulheres são impuras porque abandonam o uso natural do sexo oposto: são anti-naturais. Aqui está uma questão importante. A palavra “natureza” possui diversos significados de acordo com o contexto em que é empregada. Quando falamos de “natureza humana”, entendemo-la como a dimensão do ser humano que é radicalmente a mesma para todas as pessoas: anatomia, processos biológicos etc. Mas ser humano é muito mais do que possuir certa anatomia ou compartilhar os mesmos processos biológicos. Ser humano significa também, ou principalmente, fazer uso da razão e da capacidade de se relacionar. E, por meio da inteligência e das relações estabelecidas (o conjunto total de relações de um grupo é a sociedade), o ser humano acaba atribuindo diferentes significados e experimentando de formas diferentes o que diz respeito à parte biológica de sua vida.

Um animal ou uma planta se reduz basicamente a seus instintos. Podemos dizer que essa é a sua natureza. Já a natureza do ser humano é dar significado e interpretar tudo na vida de acordo com um conjunto de valores que vai sendo construído em sociedade. Processos biológicos como nascimento, reprodução, doença e morte, comuns a todas as pessoas, são interpretadas de formas muito diferentes conforme a cultura de cada um. O “natural” no ser humano é atribuir sentido a tudo. Aquilo que faz parte da natureza humana não é simplesmente algo objetivo, explícito e presente em todos os homens e mulheres de forma clara. O natural é o sentido, os significados que foram sendo atribuídos a cada acontecimento da vida e que se tornaram a interpretação padrão destes.

A partir deste enfoque, é preciso conhecer o que Paulo, a cultura judaica e a cultura romana entendiam como “naturais” aos homens e às mulheres. Somente assim poderemos compreender a classificação das relações de pessoas com outras do mesmo sexo como “anti-naturais”.

A diferença entre homens e mulheres é natural, anatômica, orgânica. No entanto, a maneira como essa diferença foi interpretada ao longo da história, em cada cultura, dá origem aos papéis masculino e feminino em cada sociedade.

Até bem pouco tempo atrás, o papel social da mulher era ligado à família, ao cuidado dos filhos e do marido, enquanto o homem era visto como o provedor da casa e o chefe de família. Explicava-se: cada um desses papéis era “natural”. Por causa de sua natureza específica, homens e mulheres teriam propensão natural para essas atividades. Com o Feminismo e outras transformações sociais, percebeu-se que o que parecia natural era, sim, fruto de costumes e tradições que há séculos estabeleciam o “natural” a cada um dos gêneros sexuais (masculino e feminino). A partir de então, surgiram novas matizes na maneira de ambos se posicionarem na sociedade.

O exemplo do papel social da mulher pré-Feminismo confirma a dependência de convenções culturais do que seja a “natureza humana” em suas especificidades e torna mais claro o sentido do texto de Paulo na carta aos Romanos. O que se esperava dos homens e mulheres, qual era o papel do masculino e do feminino que fazia as relações entre pessoas do mesmo sexo serem consideradas anti-naturais?

Não há como expor aqui todo o processo histórico que resultou na concepção do homem possuir uma natureza específica que o habilitava para desempenhar um papel na sociedade que não poderia ser ocupado pela mulher e vice-versa. Neste sentido, a natureza do homem era pensada com os seguintes atributos: atividade, dominação, controle, penetração, preocupação com a honra da família, representante da família fora do círculo familiar. Já a natureza feminina era entendida como passiva, subordinada, controlada, penetrada, preocupação com a vergonha da família, representante da família no interior do círculo familiar.

Acreditava-se que o sêmen era um “ser humano em proporções mínimas”: a vida surgia exclusivamente da semente do homem. A mulher era o campo que preparava tal semente. Sua função era exclusivamente receber, acolher o sêmen. Este caráter de atividade masculina e passividade feminina perfazia todos os papéis sociais de homens e mulheres.

E esta aí o motivo das relações entre pessoas do mesmo sexo serem consideradas anti-naturais. A mulher que assumia o papel ativo em uma relação com outra mulher e o homem que se tornava passivo negavam a sua própria natureza de homem e mulher como entendida na época. Além disso, no caso dos homens, tal relação significava o desperdício do sêmen, o que era praticamente um crime, visto o sêmen já ser uma pessoa, ainda que não desenvolvida. Talvez assim explique-se a inexistência de qualquer condenação à relação entre mulheres no Antigo Testamento: neste tipo de relação, não há desperdício do precioso sêmen do povo eleito por Deus.

Se os processos biológicos e a anatomia permanecem inalterados ao longo dos séculos, o mesmo não acontece com a maneira como é compreendido o que seja o especificamente masculino e o feminino nas sociedades.

Relações entre pessoas do mesmo sexo não entendidas a partir da interioridade de cada um, mas do papel social esperado, são condenadas, na carta aos Romanos, como desvio. Uma resultante da idolatria religiosa dos pagãos, que subverte o que era próprio e aparentemente imutável: a compreensão do papel do homem e da mulher.

A consciência atual de que as categorias “masculino” e “feminino” são resultantes, em grande parte, de processos culturais deixa claro que o “eu” não é determinado inteiramente por um papel desempenhado na sociedade. Considera-se, primeiro, a interioridade.

A ausência de um “eu” pessoal na antiguidade capaz de transmitir aos outros a identidade mais verdadeira faz com que o ser humano seja entendido meramente de acordo com o papel social construído para ele ao longo dos séculos, definido por sexo, cor, classe social. Quando a sociedade espera de todos papéis heterossexuais, e se são estes papéis que determinam quem cada um “é”, as relações com pessoas do mesmo sexo só podem ser compreendidas enquanto desvio da norma.

Quando se aceita, em sentido amplo, que a natureza do homem corresponde à atividade e a da mulher, à passividade, se é contrário não apenas a relações entre pessoas do mesmo sexo mas também a qualquer mudança no papel social que desafie essa maneira de entender o masculino e o feminino. Por exemplo, se é contra mulheres que trabalham fora ou os pais que mantém uma relação mais afetiva com os filhos.



6. A homossexualidade é uma doença? Ela tem cura?

Durante muito tempo, a homossexualidade não existiu. Explica-se: homens e mulheres tinham relações com pessoas do mesmo sexo, mas não eram classificadas como homossexuais. Os atos homossexuais poderiam ser considerados, no máximo, atos pecaminosos, mas isto não era entendido como uma orientação, um estado permanente da pessoa.

Foi no século XIX que surgiu a palavra homossexualidade. Um médico cunhou o termo para defender a existência de indivíduos cuja orientação sexual se dava por pessoas do mesmo sexo de maneira permanente. Logo esta primeira intenção positiva de cunhar um termo que correspondesse às vivências e desejos de uma parcela da população passou a ser utilizada de maneira depreciativa. Homossexualismo tornou-se um diagnóstico que apontava o portador de um desvio, uma doença.

Inúmeras foram as tentativas de descobrir a causa da “doença do homossexualismo”. Várias pesquisas a respeito da composição, das dimensões dos órgãos dos homossexuais procuravam entender o que provocaria tal distúrbio. Vários tratamentos foram sugeridos.

Chegou-se a transplantar testículos de animais machos para “fabricar” hormônio masculino, já que, na época, o homossexual era visto quase que exclusivamente como efeminado. Além da área médica, muita literatura criminalística afirmava que os homossexuais tinham uma tendência maior para a malandragem, para o crime.

Esta visão tétrica só começou a ser transformada quando, por meio do movimento gay, os próprios homossexuais passaram a falar sobre si mesmos, a produzir um discurso sobre si.

Não mais somente a medicina ou a polícia tinha algo a dizer sobre os gays, mas também estes tinham uma voz e com isso, foi aumentando o diálogo na sociedade a respeito desta questão e se desfazendo muitos preconceitos existentes.

Também a ciência avançou na questão. Até bem pouco tempo, a Psicologia considerava a homossexualidade um distúrbio. Na década de 1990, houve a recomendação expressa para que fosse retirada a homossexualidade da lista de doenças. As ciências a consideram uma orientação sexual minoritária, tão normal quanto a orientação heterossexual.

Há ainda muitos setores da sociedade que não aceitam a “normalidade” da orientação homossexual. É compreensível que isto aconteça visto as mudanças tanto na medicina quanto as trazidas pelo diálogo do movimento gay com a sociedade serem muito recentes.

Isto não quer dizer, no entanto, que não tenhamos que nos mobilizar para esclarecer a questão mesmo onde há mais resistência.

Há de se prestar bastante atenção em pesquisas científicas que procuram a causa da homossexualidade. Muitas vezes, esta procura ainda supõe, de alguma forma, a homossexualidade como uma espécie de anomalia, de situação não natural. Pode haver ainda preconceito motivando tais pesquisas. Por que não procurar também a causa da heterossexualidade?

Desde que os conselhos de Psicologia retiraram a homossexualidade da lista de distúrbios psicológicos, é proibida qualquer iniciativa de reversão da homossexualidade, qualquer tipo de “tratamento psicológico”. Não há o que tratar.

Uma pessoa gay pode até controlar seu desejo, ser celibatária, se assim desejar, mas não pode deixar de ser homossexual, de possuir esta tendência, esta orientação. Infelizmente ainda há psicólogos envolvidos em iniciativas como estas, geralmente promovidas por grupos religiosos protestantes neopentecostais e até católicos. Um documento da Igreja Católica americana desaconselha terminantemente tais “tratamentos”. Os profissionais envolvidos estão sujeitos a processo nos seus respectivos conselhos regionais de psicologia.

Por fim, para sermos atentos também com as palavras, o correto é “homossexualidade” e nunca “homossexualismo”, já que o sufixo “ismo” designa um estado doentio

SER CRISTÃO E SER GAY

Sob a perspectiva da Igreja



“O cristianismo só permanecerá vivo se souber reinterpretar seus textos e adaptá-los às novas situações e à nova experiência histórica que vivemos.” Ao contrário a isso, o que sobrará é o que está bem evidenciados nas igrejas atuais, um evangelho que é a cara e a vontade de seus donos. Distanciado do que é realmente o cristianismo.




“A consciência é uma lei de nosso espírito que ultrapassa nosso espírito, nos faz imposições, significa responsabilidade e dever, temor e esperança... É a mensageira daquele que, no mundo da natureza bem como no mundo da graça, nos fala através de um véu, nos instrui e nos governa. A consciência é o primeiro de todos os mensageiros de Cristo.”
Cardeal John Henry Newman (1801-1890), em carta ao duque de Norfolk (1875).


“Pai santo... fazei que todos os membros da Igreja, à luz da fé, saibam reconhecer os sinais dos tempos e empenhem-se, de verdade, no serviço do Evangelho. Tornai-nos abertos e disponíveis para todos, para que possamos partilhar as dores e as angústias, as alegrias e as esperanças, e andar juntos no caminho do vosso reino.”

Oração para Diversas Circunstâncias


“Pai misericordioso... dai-nos olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs: inspirai-nos palavras e ações para confortar os desanimados e oprimidos; fazei que, a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos lealmente no serviço a eles. Vossa Igreja seja testemunha viva da verdade e da liberdade, da justiça e da paz, para que a humanidade se abra à esperança de um mundo novo”

Oração para Diversas Circunstâncias


“Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros”.
Evangelho de João (13,35)

“Todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conheceu a Deus, porque Deus é Amor”
1 João 4,7-8

“É legítima a reivindicação dos homossexuais de viver na sociedade sendo respeitados em suas diferenças, sem discriminações ou perseguições que os oprimam”.
Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo, então presidente da CNBB, em depoimento à revista Época (10/1/2005).

“São dignas de admiração a particular solicitude e a boa vontade demonstrada por muitos sacerdotes e religiosos, no atendimento pastoral às pessoas homossexuais; esta Congregação [da Doutrina da Fé] espera que tal solicitude e boa vontade não diminuam”.
Cardeal Joseph Ratzinger, no documento Carta a Igreja sobre o atendimento pastoral de pessoas homossexuais (Roma, 1986, número13).

“O Cristianismo não é um conjunto de proibições, mas uma opção positiva. E é muito importante que evidenciemos isso novamente, porque essa consciência, hoje, desapareceu quase que completamente”.


“A consciência é a intimidade secreta, o sacrário da pessoa, em que se encontra a sós com Deus e onde lhe ouve intimamente a voz. Na consciência revela-se, de modo admirável, a lei que consiste em amar a Deus e ao próximo.

A fidelidade à própria consciência é o laço mais profundo que une todos os seres humanos entre si, inclusive os cristãos, na busca da verdade e de um solução autêntica para os problemas morais que surgem na vida de cada um e na relação de uns com os outros, na sociedade...

Ninguém seja levado a agir contra a consciência nem impedido de agir de acordo com ela”.



“Se eu tivesse de trazer a religião para um brinde depois de um almoço – coisa que não é muito indicado fazer – brindaria pelo evangelho. Mas primeiro pela graça e depois pela conciencia a ela”.

HOMOFOBIA, UM PECADO

por Adital *Luís Corrêa Lima *

A aversão a pessoas homossexuais, chamada homofobia, desencadeia diversas formas de violência física, verbal e simbólica contra estas pessoas. No Brasil são frequentes os homicídios, sobretudo de travestis. Há também o suicídio de muitos adolescentes que se descobrem gays, e mesmo de adultos. Eles chegam a esta atitude extrema por pressentirem a rejeição hostil da própria família e da sociedade. Há pais que já disseram: ‘prefiro um filho morto que um filho gay'. Esta hostilidade gera inúmeras formas de discriminação, e, mesmo que não leve à morte, traz frequentemente tristeza profunda ou depressão.

Tamanha repulsa tem raízes históricas. Por muitos séculos, as relações entre pessoas do mesmo sexo foram consideradas como o pecado de Sodoma, que resultou no castigo divino destruidor (Gênesis, cap.19). Este pecado foi a tentativa de estupro feita aos hóspedes do patriarca Ló. Até o início do século 19, a lei civil classificava as relações homoeróticas como um crime grave, sujeito a pena de morte. Por muito tempo a medicina tratou a homossexualidade como doença e transtorno. No entanto, mudanças importantes ocorreram recentemente. Nos anos 90, a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da lista de doenças. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia proibiu as terapias de reversão da orientação sexual. Portanto, a homossexualidade não é doença e nem tem ‘cura'.

Uma lei estadual fluminense, do ano 2000, penaliza instituições que discriminem pessoas em virtude de sua orientação sexual. Agentes do Poder Público, estabelecimentos comerciais ou industriais, entidades, associações, sociedades civis ou de prestação de serviços não podem discriminar, adotar atos de coação ou violência contra pessoas em função de sua orientação sexual.

As mudanças na sociedade e nas mentalidades também repercutem na Igreja Católica. Seus documentos doutrinais reconhecem a existência de pessoas com tendências homossexuais profundamente enraizadas, ou mesmo de nascença. Estas pessoas devem ser tratadas com respeito e delicadeza. Em 1986, uma carta do Vaticano aos bispos afirma que toda violência física ou verbal contra elas é deplorável, merecendo a condenação dos pastores da Igreja onde quer que se verifiquem. E acrescenta que nenhum ser humano é mero homo ou heterossexual. Ele é acima de tudo criatura de Deus e destinatário de Sua graça, que o torna filho Seu e herdeiro da vida eterna. A oposição doutrinária às práticas homoeróticas não elimina esta dignidade fundamental do ser humano.

Em 1997, os bispos católicos norte-americanos escreveram uma bela carta pastoral aos pais dos homossexuais. O título é: Always Our Children (Sempre Nossos Filhos). Para eles, Deus não ama menos uma pessoa por ela ser gay ou lésbica. A aids não é castigo divino. Deus é muito mais poderoso, mais compassivo e, se for preciso, mais capaz de perdoar do que qualquer pessoa neste mundo. Os bispos exortam os pais a amarem a si mesmos e a não se culparem pela orientação sexual de seus filhos, nem por suas escolhas. Os pais não são obrigados a encaminhar seus filhos a terapias de reversão para torná-los héteros. Os pais são encorajados, sim, a lhes demonstrar amor incondicional. E dependendo da situação dos filhos, observam os bispos, o apoio da família é ainda mais necessário.

No final do ano passado, a ONU debateu uma proposta de descriminalização da homossexualidade em todo mundo. Nações ocidentais se posicionaram a favor; e nações islâmicas, contra. A delegação da Santa Sé manifestou-se pela condenação de todas as formas de violência contra pessoas homossexuais. E urgiu as nações a tomarem as medidas necessárias para pôr fim a todas as penas criminais contra elas. Para a Igreja, os atos sexuais livres entre pessoas adultas não devem ser considerados um delito pela autoridade civil. Isto implica que eles não são uma ameaça para a humanidade. Inegavelmente, a sociedade e a Igreja têm mudado. Para melhor.

CONSELHO FEDERAL JULGARÁ PSICÓLOGA EVANGELICA QUE DIZ CURAR HOMOSSEXUAIS

A psicóloga evangélica Rozângela Alves Justino, que diz curar pessoas da homossexualidade, poderá ter o seu registro profissional cassado pelo Conselho Federal de Psicologia. O julgamento será no dia 31 de julho, em Brasília.

Há dez anos, o Conselho estabeleceu que a homossexualidade não poderia ser encarada como uma se fosse uma doença que tivesse tratamento ou cura.

Rozângela relatou ao repórter Vinícius Queiroz Galvão, da Folha de São Paulo, que em 21 anos de atividade atendeu e curou centenas de pacientes. Ela define o homossexualismo como "uma doença que estão querendo implantar em toda a sociedade".

Integrante do Movimento pela Sexualidade Sadia, ligado a igrejas evangélicas, Rozângela foi condenada, em 2007, à censura pública pelo Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro pelo mesmo motivo.

A cassação da psicóloga, que atende no Rio de Janeiro, foi solicitada por associação gays e por psicólogos. "Sinto-me direcionada por Deus para ajudar as pessoas que estão homossexuais", frisou.

Dizendo-se uma profissional comum, Rozângela afirmou que não há nada de misterioso na sua terapia. Trata-se de um tratamento normal, psicoterápico.

A psicanálise considera o homossexualismo como "uma perversão a ser tratada". À medida em que a pessoa vai se submetendo às técnicas psicoterápicas, descreveu a psicóloga evangélica, "vai compreendendo porque ficou presa àquele tipo de comportamento e vai conseguindo sair".

Em 1974, a Sociedade Americana de Psiquiatria excluiu a homossexualidade da condição de doença. Dez anos depois, a Organização Mundial da Saúde tomou a mesma medida.

ASSOCIAÇÃO QUE REUNE PAIS DE HOMOSSEXUAIS

Diocese católica apoia associação que reúne pais de homossexuais
Quinta-feira, 7 de abril de 2011 - 22h51min

por ALC Notícias



A Comunidade de San Elredo (México) contará, nos próximos meses, com associação que congregará famílias que têm filhos ou filhas que apresentam preferências sexuais diversas. A Diocese de El Saltillo, liderada pelo bispo Raúl Vera López, apóia a iniciativa, pois se entende como um espaço para romper a discriminação que recai sobre gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais.

A associação é uma das iniciativas defendidas pelo IV Fórum da Diversidade Sexual, Familiar e Religiosa, reunida nesses dias em El Saltillo, Estado de Coahuila. Ela pretende envolver a família e a igreja no combate à discriminação da homofobia. O organizador do IV Fórum, Noé Leonardo Ruiz Malacara, disse que associações afim já existem em outras localidades do México, mas essa é a primeira que contará com o apoio de uma diocese. Noé lamentou a falta de apoio institucional público em defesa dos direitos das pessoas homossexuais.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Homossexualidade e Homofobia !!

É espantoso verificar que em pleno início de século XXI ainda se propaga a homofobia na sociedade, ou seja, aversão a homossexuais masculinos e femininos sem precedentes e sem piedade. A falta de informação sobre a homossexualidade cega os olhos de pessoas e até de muitos educadores que deveriam ser os primeiros a entender, assimilar e repassar, a seus educandos, as novas descobertas e valores de respeito e dignidade, os quais promovem a oportunidade de mudanças, de pensamentos e atitudes para o bem-estar de todos e todas.
O que é a homossexualidade? É uma constituição genética que se reflete no sistema hormonal durante o desenvolvimento embrionário originando indivíduos que se sentem atraídos sexualmente pelos seus pares. Ser homossexual não é uma escolha, não é opção e nem sem-vergonhice. Ela é biológica e natural, como a heterossexualidade. Na verdade, é uma variante do desejo sexual da mesma maneira que é variável a cor da pele, a cor e forma do cabelo, a altura das pessoas, etc.
Qual é a origem da homossexualidade? Apesar de não ter muitos trabalhos conclusivos por falta de investimentos, já se sabe que a homossexualidade é genética. Ela é determinada por vários genes, alguns localizados no cromossomo sexual X e outros localizados em cromossomos não sexuais. Não se sabe quais são os fatores que desencadeiam a manifestação destes genes em algumas pessoas e em outras não, mas existem e estão nas células dos indivíduos. Já é do conhecimento científico que, a identidade sexual do indivíduo se forma por volta da 6ª a 8ª semana de gestação quando o embrião, que tiver o cromossomo Y, produzirá uma determinada dose do hormônio Testosterona (hormônio da libido e das características masculinas) que vai atuar na formação dos órgãos sexuais e na constituição sexual cerebral, principalmente na masculina. O que neste momento de vida intra-uterina se constituirá no cérebro ficará determinado para o resto da vida do indivíduo. As identidades sexuais que se formam neste período são: heterossexual, homossexual, bissexual ou transexual. Também, a formação destas identidades sexuais vai depender da eficiência ou não do cromossomo Y na produção do hormônio, a Testosterona. Não existem cromossomos Y iguais e nem com a mesma capacidade de produção da Testosterona, por isso a variação do desejo sexual depende da quantidade deste hormônio produzido na fase embrionária (6ª a 8ª semana de vida intra-uterina). Assim, a diferenciação sexual existe e deve ser aceita por todos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

AUTISMO RELIGIOSO




O que faz com que um crente e cristão acredite que ele vai ser salvo e os outros perdidos, que ele vai ser protegido e abençoado por Deus e os outros não, é a profunda alienação com os homens e seu autismo psicológico refletivo a qual faz com que ele se feche em seu mundo de pensamento e sentimentos exclusivos e indiferentes ao outros.

Toda vez que a mente se concentra em um ponto definido e fixo constantemente, ela naturalmente negligencia outras áreas e faculdades de atuação do seu próprio potencial de ampliação de conhecimento e habilidades humanas. Refletindo e sentindo tudo sobre um mesmo e único ponto de vista que ofusca todo um outro mundo de perspectivas.

O crente não vê o próximo como uma pessoa exatamente normal e igual a ele com sentimentos significativos e historias pessoais valiosas. Mas sim como mais uma alma a ser salva para o seu modo de ver e sentir as coisas. O crente ignora os valores e essência particular do outro. O cristão não escuta o próximo antes só quer conquistá-lo.

Se cada cristão saísse do seu mundo, e ouvisse atentos a historia particular de vida segunda a perspectiva e sofrimento de cada um, se cada cristão sentisse a honestidade da fé diferente do seu próximo, se cada crente parasse para ouvir os pensamentos do outro sem interromper com a sua inserção, ele não acreditaria nas coisas que acredita.

Mas não! O cristão é um autista no mundo! Não vê a vida do próximo, não enxerga as mil possibilidades humanas, os milhões de fatores determinantes, e as inúmeras experiências inevitáveis de vida. Só assim direcionados a ver segundo uma única ótica, se pode acreditar que pessoas tão humanas e comuns como nós em tudo, irão se Perder!

Esdras Gregório