Embora o judaísmo houvesse antecipado a discriminação a homossexuais, ela só adquire um status de lei quando as sociedades passam a ser regidas pelos estatutos esclesiásticos. Logo que o cristianismo tornou-se a religião oficial de Roma, seus principais intérpretes providenciaram um código de ética sexual em seu nome, no qual a homossexualidade, dentre outras práticas, passou a ser considerada pecado possível de pena de morte. Na época, acreditavam que se tratava de um costume adquirido, não inato, portanto fruto de uma influência maligna (diabólica) e inventaram que se sua prática fosse permitida traria conseqüências terríveis para tal cidade, como pragas, terremotos, fome etc...
Tudo isso vem da concepção errônea de que a homossexualidade é pecado, algo como uma obsessão maligna ou coisa parecida. Como o tabu de que a sodomia é apenas um mau costume adquirido caiu (referindo-se a homossexualidade), seu enfoque pecaminoso deveria ter sido igualmente dissolvido. E antes, se a condenação sobre a usura e a avareza fosse levada à ponta de faca como seus precursores do cristianismo romano fizeram com relação a prostituição feminina e ao homoerostismo, não restaria um imperador, nobre, burguês e talvez nem uma autoridade papal. Pois todos eles nadavam em ouro proveniente da exploração do povo. E nos, dias de hoje, se estas mesmas leis de alguns segmentos do cristianismo que ainda se mostram intolerantes aos homossexuais fossem mais coerentes importariam-se com coisas que escandalizavam Jesus, como o comércio e exploração da fé e dos pobres, a prática da caridade e a distribuição de renda.
Cada pessoa deve ter acesso a todas as visões de mundo existentes, a tudo, mas ninguém pode ser obrigado a adotar esta ou aquela forma de encarar a vida. Por certo, há religiões que acreditam na igualdade total, mas não a promovem na prática com medo de perder o rebanho conquistado, caso quisesse mistura-lo com gays numa mesma igreja. Por outro lado, é sabido que a maioria dos homossexuais acaba por abandonar a sua religião porque ela insiste em mostrar sua condição sexual como algo, “condenado por Deus”. Os que ainda mantêm um vínculo religioso sofrem todo tipo de opressão mental, espiritual e social, terminando por multilar-se espiritual e muitas vezes, até fisicamente.
Como vivo no meio religioso, e já a muito tempo,aprendi melhor, porque comprovei, o que seria lógico, que os homens e mulheres que estão mais envolvidos com suas profissões de fé acabam por anular sua orientação quando ela é homossexual. Vi homens que mais pareciam lagartos, se arrastando e fazendo o mesmo com suas vidas, ou parecendo pássaros presos em gaiolas. Conheço mulheres na mesma condição. E era de certo modo interessante observar o efeito que esta anulação fez nos seus gêneros, os homens tornava-se fracos, tanto no ofício como no lar, as mulheres ficam ásperas, secas autoritárias e inflexíveis. Comparando como um exemplo mais corriqueiro, seriam como mulheres heterossexuais insatisfeita num casamento, mantendo-o somente por não ter fonte de renda própria, ou por causa dos filhos, ou dependência emocional, agüentando o machismo, a falta de realização pessoal, e em certos casos agressões. Para mim, a vida dos homossexuais que realizam um casamento tradicional, em virtude da religião, sempre foi uma visão triste, pois imagino ao ver estas pessoas, todo o sofrimento pela qual devem passar, as formas de auto-rejeição e penitência que se submetem e que, com certeza eram muito mais profundas que apenas viver o disfarce, não se aceitar como pessoa, encarar-se numa imagem estranha a si próprio, ou ter nojo e desprezo da própria personalidade, vivendo eternamente uma culpa.
Isso poderia ter sido uma triste história.
Na década de 1960, Mauro com quatorze anos, percebeu que era gay. Estudava num dos colégios mais tradicionais e importantes centros educacionais católicos do Rio de Janeiro. Tinha assim uma educação rígida sobre os valores sexuais. Eram um aluno exemplar e muito religioso. Mauro não se achava digno de comungar, visto que não podia confessar sua orientação sexual. Via-se então, como uma aberração, mas não podia controlar seus pensamentos e desejos. Depois de um ano, encheu-se de coragem e decidiu confessar-se; pelo menos não viveria mais com a culpa da mentira. Ao entrar no confessionário, muito nervoso, travou o seguinte dialogo com o bispo, figura hoje muito conhecida e importante na cúpula do catolicismo;
- Bispo... tenho muita coisa para contar, mas há um pecado tão terrível se não sei se terei coragem de confessá-lo.
O Bispo percebendo o estado do rapaz, deixou o tom cerimonioso e respondeu;
- Diga meu filho. Que pecado tão terrível é este?
- Não posso dizer... Vim porque ele me atormenta a mais de um ano, e não consigo conviver com isso.
- Faça então o seguinte; comece contando os comuns e, no meio deles, conte este que você considera tão terrível.
Mauro foi contando o que considerava mais leve até chegar o momento fatal. Com voz trêmula e embargada disparou:
- Um de que me envergonho todos os dias é o de sentir desejos por outros garotos.
O Bispo virou-se de frente para ele e perguntou;
- Conte-me agora o que você disse ser um pecado terrível?
Mauro olhou espantado para o Bispo. Não acreditava no que ouvia. De súbito o choro veio abundante, era de alívio. O Bispo pediu então que ele saísse do confessionário e abraçou-o com afetuosidade. Mauro não pode dizer mais nada, apenas soluçava, grato por ter sido encarado com tanta humanidade.
Mas hoje o que vemos realmente, é uma triste história.
Vemos pessoa nivelando as coisas como tudo fosse muito igual, e tudo partindo pela visão e conhecimento delas próprias.
Como Deus apenas fizesse o homem de um único jeito e exigisse dele chegar até tal patamar e os que não conseguem estão fora.
Vemos que o números de cristão que nascem em berços evangélicos que sempre dedicaram suas vidas a fé, e quando chegam a adolescência percebem suas orientação voltada para o homossexualismo. Por ouvirem que isso é errado e abominação para Deus, se fecham em segredos, vivendo uma dura realidade de tristeza e medo. Ao passar de mais alguns anos como não consegue mais anular aquilo que é forte dentro de si, tanto que qualquer garoto ou garota com mais de 17 anos já procuram namorar por não conseguir segurar mais suas necessidade de encontrar sua outra metade, quando muitas vezes acontece até antes. O indivíduo homossexual cristão até namora, mais seus namoros são curtos e com uma certa rotatividade, pois ele fica a procura da pessoa do sexo oposto que o fará ser preenchido e solucionando assim o seu tão grave problema. Como seu problema não desaparece aí, chega o momento de falar com seus pastores pois o assunto já esta desgastando a pessoa e ela necessita de ajuda de uma pessoa mais sábia e espiritual. Ao conversar com os pastores ou superiores, e iniciado uma vasta e desgastante corrida a circulo de oração, jejum, quebra de maldição, cura interior, e a partir daí, as pregações começam a se intensificar contra a homossexualidade. Se o indivíduo depois disso procurar seu pastor e falar que as coisas estão do mesmo jeito, ele passa a ir ficando de lado só sendo aguardado para o dia que ele deixa de freqüentar a igreja, e agora os pastores e lideres já estão desobrigado com a vida dele e assim já podem iniciar aquela frase feita, ele fez sua escolha....
Isso na verdade é a grande mentira pois se tivesse como fazer uma escolha, escolheria pelo o mais simples e mais fácil, que era sentir atração pelo sexo oposto casar e ter um ministério abençoado, e continuar servindo a Deus em sua comunidade e desenvolvendo o seu dom.
Agora se o erro não fosse o homossexualismo, e sim a falta de caráter, a mentira, a falsidade, a contenda a difamação, a injustiça, a avareza, o desamor, a desobediência, poderia conviver normalmente dentro da comunidade.