terça-feira, 7 de julho de 2009

Racismo em nome de Deus



Onde a igreja se apegava, para fortificar seus preconceito contra os negros.
Muito triste isso, mas já passou.....

A MALDIÇÃO DE CAM
A maldição é usada especialmente em dois momentos no livro de Gênesis, os quais usam para referir erradamente à cor preta, primeiramente para os descendentes de Caim:
“ O SENHOR, porém, disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o SENHOR um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse.” (Gênesis 4:15)
E em relação à Canaã, o filho de Cam:
“E começou Noé a cultivar a terra e plantou uma vinha.
Bebeu do vinho, e embriagou-se; e achava-se nu dentro da sua tenda.
E Cão, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai, e o contou a seus dois irmãos que estavam fora.
Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre os seus ombros, e andando virados para trás, cobriram a nudez de seu pai, tendo os rostos virados, de maneira que não viram a nudez de seu pai.
Despertado que foi Noé do seu vinho, soube o que seu filho mais moço lhe fizera; e disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos será de seus irmãos.
Disse mais: Bendito seja o Senhor, o Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo.
Alargue Deus a Jafé, e habite Jafé nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo.” (Gênesis 9:20-27)
Esses textos, especialmente o segundo, serviram para corroborar a escravidão de africanos, numa mutilação e deturpação dos escritos bíblicos. Tenho afirmado constantemente que os atores e atrizes do Primeiro Testamento e também os espaços geográficos dos eventos citados ocorreram em terras afro-asiáticas, sendo impossível a presença de civilizações brancas participantes de tais fatos. Dessa maneira, o assevero que historicamente e arqueologicamente a marca de cor preta como maldição é deveras impossível, sendo mais uma mentira dos caucasianos
"Presta bem atenção, pois é longe de ser uma brincadeira. Alguns dizem "ele viu seu pai nu", tem que entender que ele cometeu um ato de homossexualidade com Ele. Outros dizem que Cam copulou com animais na arca e é por esta razão que ele ficou preto e maldito. É dito também que Deus, tendo dito que amaldiçoaria mais seus filhos, só lhe restavam os netos para amaldiçoar. Para a Bíblia de Chouraqui, Cam viu o sexo do seu pai e "o Deus dos abençoados Israel abominava a falta de pudor acima de tudo". Robert Graves e Raphaël Pataï (ref. "Les mythes hébreux (= Os mitos hebreus)", Fayard, 1987, P. 129-134) acrescentam que de fato Canaã emasculou seu avô com uma corda debaixo da tenda e Cam vendo isto riu. Mas eles lembram que também existe uma versão que diz que é o Cam mesmo que procedeu a esta emasculação. O dicionário enciclopédico do judaísmo revela que Cam teria estuprado sua mãe e concebido assim Canaã. Isto não é tudo. Para o Rabino Rachi, é o Canaã que viu primeiro seu pai nu (ref. "Le commentaire de Rachi sur le pentateuque (= O comentário de Rachi sobre o "pentateuque")", livro de Keren Hasefer). Está vendo, nadamos em um mar de baixarias."

Há muitas versões dos textos de Gênesis e com certeza já comprovada manipulações de traduções. Onde estão os textos originais? Quem manipulou e modificou os textos copiados? Quais foram e são os interesses de exegeses forçadas e hermenêuticas anti-preto?


A IGREJA CATÓLICA E A MALDIÇÃO DE CAM
A igreja Católica Apostólica Romana vai corroborar a maldição de Cam em acordos políticos, bulas papais, práticas escravocratas como o tráfico, catequese, na beatificação de pessoas que tiveram visões imbuídas de racismo.
"A alma do negro africano regenerada pelo batismo não estava mais cativa, ela se libertava do poder do diabo que governa as religiões na África, o escravo no Brasil devia preservar essa liberdade da alma, para não cair sob o domínio dos poderes malignos do seu continente de origem.
O que se deu na verdade, segundo o entendimento da época, foi o predomínio da idéia de que era preferível a esses grupos humanos viveram como escravos numa cultura cristã, a viverem na barbárie do estado tribal, praticando o animismo, a idolatria e o politeísmo, com a observância de práticas de sacrifícios humanos, com guerras tribais sangrentas e, principalmente, com a escravidão vigorando entre os próprios nativos da África e também pelas mãos dos comerciantes muçulmanos!

O papa Nicolau V, no dia 8 de janeiro de 1455, promulgou a Bula Romanus Pontifex, que, entre outras aberrações, afirma que: “Nós (...) concedemos livre e ampla licença ao rei Afonso para invadir, perseguir, capturar, derrotar e submeter todos os sarracenos e quaisquer pagãos e outros inimigos de Cristo onde quer que estejam seus reinos (...) e propriedade, e reduzi-los à escravidão perpétua e tomar para si seus sucessores seus reinos (...) e propriedades”.
Na apresentação do combonianos, o padre Isaías Rocha incorre na idéia de maldição:

PADRE VIEIRA
O Padre Antônio Vieira em seus Sermões (XI e XXVII), afirma que:
-"A África é o inferno de onde Deus se digna retirar os condenados para, pelo purgatório da escravidão nas Américas, finalmente alcançarem o paraíso".
“É melhor ser escravo no Brasil e salvar sua alma do que viver livre na África e perdê-la? "

O RACISMO DE ANNE CATHERINE EMMERICH
A religiosa agostiniana, Anne Catherine Emmerich estigmática e extática nasceu em 8 de setembro de 1774 em Flamsche, perto de Coesfeld na Diocese de Munster, em Westphalia, Alemanha, e morreu em 9 de fevereiro de 1824 em Dulmen. Suas visões estão descritas nos livros “A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo de acordo com as Meditações de Anne Catherine Emmerich”, “A Vida da Santíssima Virgem Maria” e “A Vida de Nosso Senhor”.
As visões de Anne são contestadas de veracidade por alguns católicos e combatidas por causa do racismo contra pretos e também pelo anti-semitismo. No que tange a população preta ela diz em suas visões que o povo preto tem a marca da maldição oriunda de Caim e que é um povo degradado, almadiçoado e nas suas visões também vê o diabo de cor preta e odioso. Visões estas que ela diz ter recebido do próprio Senhor Jesus Cristo e os católicos a beatificaram. A invenção da maldição de Cam tem sido contestada até no blogger dos ateus e os mesmos acusam Deus por culpa dos racistas:
"É bom lembrar que a maldição de Canaã também foi utilizada para justificar a escravidão. Muitos líderes religiosos, como os clérigos Robert Jamieson, A. R. Fausset e David Brown, em seus comentários bíblicos asseveram:
“Maldito seja Canaã, (Gênesis 9:25) esta maldição se tem cumprido na (…) escravização dos africanos, os descendentes de Cão.” — Comentário, Crítico e Explicativo, de Toda a Bíblia.
Afirmava-se que não só a escravização dos negros cumpria tal maldição bíblica, mas que sua cor preta também. Assim, muitos brancos foram levados a presumir que os negros são inferiores, e que Deus propôs que fossem servos dos brancos. Até mesmo há uns cem anos atrás a Igreja Católica detinha o conceito de que os negros foram amaldiçoados por Deus. Maxwell explica que este conceito “aparentemente sobreviveu até 1873, quando o Papa Pio IX associou uma indulgência à oração em favor dos “desgraçados etíopes da África Central, para que o Deus Todo-poderoso remova inteiramente a maldição de Cam de seus corações””.
Todavia, a mais de 1.500 anos antes de Cristo, os rabinos judeus já ensinavam uma estória sobre a origem da pele negra. Afirma a Encyclopædia Judaica que “Cus (nome estranho), o descendente de Cam, tem pele negra como castigo por Cam ter tido relações sexuais na arca”. “Estórias” similares foram propagadas nos tempos modernos. Os defensores da escravidão, tais como John Fletcher, de Luisiana - EUA, por exemplo, ensinavam que o pecado que motivou a maldição de Noé fora o casamento inter-racial. Afirmava que Caim fora assolado com a pele negra por matar seu irmão, Abel, e que Cam pecara por se casar com alguém da raça de Caim. É digno de nota também que Nathan Lord, presidente da Faculdade Dartmouth no último século, atribuiu também a maldição de Noé sobre Canaã parcialmente ao “casamento “misto proibido de Cam com a raça previamente iníqua e amaldiçoada de Caim”. Hoje em dia ainda há igrejas que defendem estas interpretações, embora não defendam mais a escravidão.
Bem, é isso aí. De um simples porre, como muitos por aí tomam todos os dias, surgiu uma contenda eterna entre dois povos e se justificou séculos de submissão de uma etnia. Coisas da fé. E nada de Deus".

A MALDIÇÃO DE CAM NO PROTESTANTISMO
A Historiadora Elizete da Silva em - Visões Protestantes Sobre a Escravidão - escreveu:
“O fundamentalismo das denominações protestantes dos EUA se transformou em terreno fértil para justificativas da escravidão, que buscavam embasamento doutrinário para apaziguar a consciência dos escravocratas do sul. Citando a história de Noé, identificavam a maldição de Cam, por ter surpreendido o patriarca nu e embriagado, como a maldição dos negros. “Os Teólogos racistas acrescentaram que os negros descendem de Cam e, portanto estão condenados à servidão e à escravidão permanentes. Juan Bautista Casas, sacerdote espanhol alegava em 1869 que a raça negra sofre da maldição narrada no Pentateuco e que a sua inferioridade se perpetuava através de séculos.”
As Igrejas Protestantes através da história foram às grandes defensoras da idéia da maldição de Cam.
Hernani Francisco da Silva escreveu:
“Não foram só os Anglicanos coniventes com a escravidão negra no Brasil. Outras igrejas históricas também participaram dela. Os primeiros colonos batistas eram favoráveis e foram proprietários de escravos. Em Santa Bárbara D’Oeste, primeiro núcleo batista, o trabalho escravo existiu como mão-de-obra usada na agricultura e em tarefas domésticas. Os colonos batistas eram senhores de escravos, a exemplo da Senhora Ellis, dona de um sítio e que providenciara hospedagem nos primeiros meses ao casal de missionários W. Bagby, fundador da Primeira Igreja Batista do Brasil. Os metodistas, defensores dos direitos humanos e da abolição do escravismo na Inglaterra e nos EUA, ao chegarem ao Brasil acomodaram-se ao ambiente escravista e quase nada fizeram com repercussão pública, em favor dos escravos. Conforme um estudo sobre o metodismo brasileiro durante o período que antecedeu, ou mesmo depois da "libertação dos escravos," a Igreja Metodista jamais chegou a defender oficialmente sua posição em relação à escravidão no Brasil. Os primeiros Presbiterianos, também sulistas, conservaram-se por muito tempo fiel à lembrança de sua causa nacional, um destes missionários presbiteriano sulista se havia conservado tão firme em suas convicções que, quando em 1886 o presbiteriano Eduardo Carlos Pereira publicou uma brochura em favor da abolição da escravatura, ele escreveu um verdadeiro tratado anti-abolicionista. Dos luteranos sabemos que os primeiros escravos negros da Colônia Alemã Protestante de Três Forquilhas entraram por volta de 1846, por iniciativa do pastor Carlos Leopoldo Voges. Outros colonos protestantes copiaram seu exemplo (Mittmann, Hoffmann, König, Grassmann, Kellermann, Jacoby, Schmitt e outros) “


A CANÃA BRANCA

O protestantismo quando chegou nas 13 colônias da América trazido por colonos ingleses, conhecidos como puritanos, praticantes de uma interpretação literal da Bíblia, se consideravam o “O Novo Israel de Deus", “Os Eleitos" e “diziam” possuir toda a autoridade para interpretar os textos bíblicos e vivê-los literalmente na “Terra dada por Deus”, também se consideravam expulsos da Inglaterra, governada pelo faraó, o rei inglês, e atravessaram o Mar Vermelho, nome que deram ao Oceano Atlântico, e viram os povos nativos, os aldeões coletores como as nações de Canaã que deviam ser destruídos para que eles tomassem posse da Terra Prometida. Essa mesma visão puritana veio com os missionários norte-americanos para o Brasil e se tornou o arcabouço das igrejas evangélicas no Brasil.

Os puritanos se consideravam através de seus seguimentos pelo planeta como os herdeiros de Deus e donos do mundo,torna-se interessante o texto abaixo e as interpretações dos Puritanos abalizando o direito de escravizar os africanos.
"E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das gentes que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas.
Também os comprareis dos filhos dos forasteiros que peregrinam entre vós, deles e das suas gerações que estiverem convosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por possessão perpetuamente os farei servir" – (Levítico- 25: 44-46).
A falsa interpretação teológica dos puritanos dos textos bíblicos foi usada como certidão de posse do planeta e de seus habitantes. Dentro do protestantismo especialmente o Reformado no final do culto o pastor abençoa a comunidade e ouvi diversas vezes as seguintes palavras:
- O amor de Deus Pai, a Graça de Deus Filho e as Consolações do Deus Espírito Santo, sejam com todos vós e com todo o Israel de Deus espalhado pela face da terra.
A idéia do “Novo Israel” é uma prática puritana de interpretação bíblica e sê-lo é deter uma nova Canaã literalmente falando, sendo assim, os puritanos se sentiam abençoados e cumprindo a vontade divina, só que este Novo Israel era habitado nas Américas, Oceania e na África por populações pretas as quais foram condenadas a uma vida de inferno. A escravidão tornou-se um decreto divino, porque os puritanos brancos se consideram predestinados a herdarem a terra, sendo formulada uma proposta terrena de uma Nova Canaã Branca e protestante, impondo as suas filosofias deformadas e praticas racistas pelas elites no poder e repetidas pela população branca e pobre, conseguintemente na iconografia religiosa, nas teologias, na estética, nos meios de comunicação, na relação capital X trabalho, nos livros didáticos, e especialmente no poder político que afeta o direito a vida e do bem comum dos africanos e seus descendentes.

As graves conseqüências da “idéia de um novo Israel branco e Puritano”, além da pilhagem, exploração e escravidão fizeram com que surgissem as maiores aberrações raciais nos Estados Unidos da América e na África do Sul, legislações baseadas na idéia de uma “Nova Canaã Branca”

O Senhor não predestinou nenhuma pessoa, seres originais criados a imagem e semelhança Dele, para ser escravizada por qualquer uma outra pessoa. (Mesma que esta pessoa não tenha os detalhes que, a maioria acha necessário para viver merecedor e totalmente salvo em Cristo).
Os praticantes da escravidão violaram todos os mandamentos divinos e rasgaram o Sermão do Monte e literalmente prestarão contas dos seus atos no dia do Juízo Final, porque usaram o nome do Eterno para invadir, seqüestrar, escravizar e matar os seres originais e continuam afastados do evangelho. Todos os povos têm a promessa do Reino de Deus conforme as palavras de Yeshua no Sermão do Monte:
"Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados." Mateus 5:10.

CONCLUSÃO
A ingenuidade, a colonização mental e espiritual, os livros didáticos, o desconhecimento do afrocentrismo, os seminários e teologias mal formuladas aliadas aos interesses econômicos, sociais e políticos fazem com que a população preta acredite em pastores e padres mal informados ou mal intencionados. Torna- se- á necessário desmitificar essas mentiras que pairam nas mentes da população preta. O povo preto nunca foi amaldiçoado. Basta de mentiras! Foi todo um processo planejado nas catedrais, nos concílios, no desejo de poder das igrejas católicas e protestantes e suas alianças com potências caucasianas, nas invasões através do mercantilismo, da escravidão, do colonialismo, do neocolonialismo, no capitalismo para roubar o continente africano e escravizar os seus filhos e filhas, atualmente tentando mantê-los desinformados e alheios da real liberdade com estigmas de amaldiçoados.
A população preta civilizou o planeta, criou todas as ciências e grandes religiões, por isso o ódio e a inveja dos africanos e seus descendentes, tentam fazer da criação de Deus, uma caricatura pela mentira. Temos que reagir, não se pode aceitar a distorção histórica e bíblica, é necessário perfazer os ensinamentos maldosos e distorcidos.
O povo preto é abençoado e nele não paira nenhuma maldição. Quando Javé terminou a sua obra e fez o homem da lama disse:
Gênesis 1:27 - “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”
Gênesis 1:31 - “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.”


“A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça para a justiça em todos os lugares. Estamos presos numa rede de reciprocidade, da qual não se pode escapar, ligados por um mesmo e único destino.”
Martin Luther King Jr.